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SÃO PAULO – Os investidores demandaram mais rendimento dos títulos públicos da Zona do Euro no mercado secundário desta quarta-feira (27). Com o aumento da aversão ao risco, os papéis da Espanha esbarraram na margem psicológica dos 7%, nível que já levou outros países a pedir ajuda financeira internacional.
O humor do mercado foi abalado com as declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, contrárias à emissão de títulos conjuntos de dívida, os chamados eurobônus, para injetar liquidez nas esocnomias da Zona do Euro. Merkel também afirmou que discorda do relatório divulgado na véspera pelo Conselho Europeu.
O documento, que servirá como base para o encontro de cúpula da União Europeia, defende a criação de um órgão de supervisão aos mais de 8 mil bancos que compõem o bloco monetário. O relatório foi assinado também pelo BCE (Banco Central Europeu) e pela Comissão Europeia, defende a união bancária, fiscal e política na Zona do Euro.
Nesse sentido, crescem os termores de que a reunião de cúpula termine, mais uma vez, sem consenso no combate à crise.
SOS
Segundo a agência de notícias Bloomberg, a situação econômica na Espanha e no Chipre serão mote de uma teleconferência de emergência entre os ministros das Finanças dos países da Zona Euro, agendada para esta tarde.
O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, já antecipou que pedirá auxílio aos líderes da União Europeia para reduzir as taxas de juros insustentavelmente altas. Enquanto isso, a recessão da economia espanhola se agravou no segundo trimestre de 2012. Segundo relatório do Banco Central da Espanha, o PIB (Produto Interno Bruto) registrou retração de 0,3% frente ao primeiro trimestre, acumulando retração de 0,4% no ano.
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Já o Chipre receberá a Comissão Europeia e os funcionários do BCE (Banco Central Europeu) na próxima semana para determinar o valor do resgate à nação, estimado em € 10 bilhões.
Seria prematuro especificar quais serão as condições do resgate”, disse o ministro de Finanças do país, Vassos Shiarly, à imprensa. “Acredito que vamos discutir e concluir que não vai será tão doloroso como alguns esperam”, completou.
Confira o desempenho dos títulos públicos de dez anos no mercado secundário europeu:
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| País | Rendimento | Variação | Spread* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 26,75% | -0,94% | 25,20 |
| Portugal | 9,90% | +2,43% | 8,35 |
| Itália | 6,22% | +0,70% | 4,67 |
| Espanha | 6,94% | +1,02% | 5,39 |
| França | 2,64% | +0,57% | 1,09 |
| Alemanha | 1,55% | +2,92% | – |
* Diferença em pontos percentuais entre o rendimento de um título em relação ao ativo alemão. Fonte: Bloomberg
Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.