Juro pode continuar subindo, com degradação das expectativas do IPCA

Após a nona elevação consecutiva da taxa Selic, muitos especialistas ainda não descartam novo aperto monetário

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SÃO PAULO – Após a nona elevação consecutiva da taxa de juro no Brasil, atualmente em 19,75%, muitos especialistas não descartam novos aumentos de juro pelo governo, uma vez que a meta de inflação para o final do ano está ficando cada vez mais distante de ser alcançada.

Além da melhoria dos fundamentos da economia doméstica, a rigidez inflacionária é o principal motivo que os analistas do banco de investimentos internacional Credit Suisse First Boston (CSFB) apontam para não descartarem novas altas da Selic no curto prazo.

Demanda segue aquecida

Para explicar a contínua deterioração das expectativas do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para 2005, dois pontos, em especial, foram levantados pelo banco: menor efeito do que o previsto sobre a demanda e a rigidez inflacionária.

Segundo os analistas, uma forte redução dos riscos de mudança na política econômica e uma série de inovações financeiras foram responsáveis pelo fato do volume de crédito na economia continuar crescendo, mesmo com os apertos monetários.

Possibilidade de novas elevações

Assim, o aumento do juro iniciado em setembro de 2004 ainda não apresentou os efeitos que o Banco Central deseja implementar na economia e novos apertos monetários talvez sejam necessários.

Isto porque o banco avalia que a inflação tem sido gerada por um universo extenso de itens e não produtos ou setores isolados.

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Rigidez inflacionária

Comentando a alta difusão inflacionária, o CSFB comenta que, desde janeiro de 2000, a média do indicador é de 66%. Vale lembrar que o índice de difusão mede o percentual dos bens da cesta do IPCA que apresentam alta de preços.

Por fim, a baixa dispersão inflacionária também leva os analistas a apostarem em rigidez inflacionária. Isto porque cerca de 10% dos itens que tiveram o maior aumento acumulado em 12 meses até abril de 2005 respondem por apenas 16% da inflação no período.