Juro de 10 anos nos EUA deve ficar alto, mesmo com corte do Fed em 2024, diz analista

Rodrigo Sgavioli, estrategista da XP, afirma que o comportamento da curva de juros de longo prazo ditará dinâmica dos ativos

Augusto Diniz

Conteúdo XP

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A expectativa é que a taxa de juros de longo prazo americana se mantenha em níveis altos como nunca se viu nos últimos 10 a 15 anos, no pós-crise financeiro de 2008, mesmo que ainda em 2024 o Federal Reserve (Fed) decida pela queda da taxa de juros nos Estados Unidos.

Nesse sentido, segundo Rodrigo Sgavioli, estrategista da XP, durante participação no Morning call da XP, o provável ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos exige observar principalmente a taxa terminal dos juros americanos de 10 anos.

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Juros longos influenciam ativos de risco

“Ela (a taxa de juros de longo prazo) é bastante importante”, destacou. Segundo ele, isso tem implicações aos ativos de risco.

“Tem tido bastante turbulência ao longo do caminho (do ciclo monetário dos EUA) e a gente pode associar essa volatilidade com essa curva de juros (de longo prazo) americana, que está hoje em um regime 30% maior do que a média histórica”, ressaltou.

“Isso está trazendo um comportamento bastante curioso para as principais classes de ativos nos Estados Unidos, que são a grande referência para outros mercados no mundo, inclusive no Brasil”, complementou.

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Quebra de correlação entre ativos

Quando se olha a correlação da bolsa americana, de renda variável, com a renda fixa, ou seja, como esses ativos têm se movimentado, Sgavioli conta que as correspondências e simetrias mudaram bastante nos últimos dois anos.

“As incertezas inflacionárias e a taxa de juros longa americana fizeram essa correlação quebrar”, explicou. “Com isso, para quem monta portfólio (de ativos), que precisa entender a dinâmica das classes de ativos, isso dificulta”, avaliou.

Para o analista, para montar um portfólio de ativos é preciso compreender esse novo cenário. “Tanto lá como aqui, com taxas nominais e reais mais altas, o que a gente deve ter ao longo dos próximos meses é menor aceitação a tomar risco em estratégias que priorizem oscilação de preço”, disse.

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Estratégia de carrego

“Ou seja, bolsas, aqui no Brasil ou globais, mesmo adotando estratégia com fundos listados onde se pode obter algum ganho de capital, a gente acha que não é hora de assumir riscos demasiados, para se beneficiar de volatilidade”, analisou.

“Atualmente, a gente prefere carteiras com estratégia de carrego (de renda fixa) em detrimento de estratégias que se beneficiam de ganhos de capital da volatilidade do mercado”, afirmou.

“Os portfólios devem caminhar assim nesse semestre”, disse. “Por ora, talvez tomar mais risco com carry, com carrego, seja melhor do que com ganhos de capital”, acrescentou.

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“É importante prestar atenção no comportamento de juros de 10 anos americanos, que ele vai ditar a dinâmica do preço dos ativos ao longo dos próximos meses”, ratificou.