JPMorgan vê pessimismo exagerado com farmacêuticas e mantém RD (RADL3) como favorita

Relatório aponta que temores com setor não afetaram resultados das empresas e reforça visão positiva para as grandes redes

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(Foto: Divulgação)
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Apesar da deteriorização do sentimento dos investidores em relação ao varejo farmacêutico nos últimos meses, diante de preocupações com os efeitos dos medicamentos GLP-1 sobre preços e margens, o avanço da concorrência online e uma possível reforma trabalhista, o JPMorgan destaca que os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) não corroboraram para esse cenário mais pessimista.

Segundo a equipe de anlistas liderada por Joseph Giordano, os balanços continuaram mostrando demanda resiliente, margens estáveis e melhora na conversão de caixa, indicando que esses receios ainda não se traduziram em deterioração dos fundamentos das empresas, e a expectativa do banco é que isso não aconteça.

A redução dos preços dos medicamentos GLP-1 vem gerando forte elasticidade de demanda, ampliando a base de consumidores e beneficiando a receita líquida, enquanto os ganhos de margem bruta devem aparecer gradualmente.

Em relação ao Mercado Livre (BDR: MELI34), o banco afirma que a empresa ainda não possui uma vantagem estrutural em preços ou nível de serviço. Um levantamento realizado pelo JPMorgan com cerca de 2 mil SKUs, em junho, mostrou preços amplamente semelhantes aos das redes farmacêuticas, que continuam levando vantagem em medicamentos essenciais, conveniência e rapidez na entrega.

Já as discussões sobre uma eventual reforma trabalhista perderam força recentemente, embora ainda exista o risco de retornarem rapidamente à pauta. Ainda assim, em um setor de margens estreitas, o JPMorgan acredita que as empresas mais estruturadas, com maior área de vendas e elevada densidade de lojas, tendem a sofrer menos impactos e podem até se beneficiar de uma consolidação do setor.

Na avaliação do JPMorgan, a escala torna-se cada vez mais importante em compras, gestão de estoques, logística digital e conformidade regulatória, favorecendo o ganho de participação das companhias listadas em Bolsa. O perfil defensivo e de baixo beta dos lucros também deve ajudar o setor a atravessar um ambiente macroeconômico e eleitoral mais volátil.

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RD (RADL3) continua sendo a favorita

O JPMorgan mantém preferência pela RD Saúde (RADL3) em relação à Pague Menos (PGMN3), citando execução superior, maiores ganhos de participação de mercado, produtividade mais elevada, plataforma omnicanal mais robusta e maior previsibilidade de geração de caixa.

Nesse sentido, o banco manteve recomendação overweight (equivalente à compra) e elevou o preço-alvo para R$ 31, ante R$ 27, refletindo principalmente a atualização do horizonte de avaliação para dezembro de 2027 e a elevação de aproximadamente 4% nas estimativas de lucro por ação para 2026 e 2027, impulsionada por um EBIT (lucro antes de juros) maior, melhores dinâmicas de custos, menor depreciação e amortização e margens operacionais superiores, parcialmente compensadas por uma carga tributária mais elevada.

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O JPMorgan afirma ainda enxergar um potencial de cerca de 6% acima das estimativas de consenso, enquanto considera a avaliação da RD Saúde atrativa, negociando a 16,6 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da faixa de 20 a 22 vezes que, na visão do banco, representaria uma relação mais equilibrada entre risco e retorno.

Pague Menos (PGMN3)

O JPMorgan manteve recomendação underweight (equivalente à venda) para a Pague Menos, afirmando que, embora os fundamentos da companhia tenham melhorado no segundo trimestre de 2026, a relação entre risco e retorno ainda não é atrativa.

Na avaliação do banco, a varejista apresentou avanços na margem bruta, redução das perdas de estoque e melhora na geração de caixa. Por outro lado, o crescimento das vendas perdeu força, em parte por problemas na execução da estratégia digital.

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Além disso, o JPMorgan destaca que a diferença de crescimento em relação à RD Saúde aumentou, a contribuição dos medicamentos GLP-1 desacelerou, os ganhos de participação de mercado permaneceram razoáveis e o lucro antes dos tributos (EBT) ficou abaixo das expectativas, indicando uma qualidade de resultados inferior à da concorrente.

O banco também vê riscos na estratégia de acelerar a abertura de lojas, que pode pressionar a geração de caixa e exigir investimentos adicionais para fortalecer a plataforma digital da companhia.

As ações da Pague Menos negociam a cerca de 6 vezes o lucro estimado para 2027, e o banco vê um valor justo entre R$ 3,50 e R$ 3,75 por ação. Para o JPMorgan, o desconto de aproximadamente 50% em relação aos múltiplos da RD Saúde é justificado pela maior dependência da companhia de incentivos fiscais para sustentar seus resultados.

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