JPMorgan vê divisão nas ações britânicas com debate sobre saída da UE

Embora o FTSE 100 Index seja um dos indicadores de melhor desempenho da Europa em 2016 e se beneficie com a queda da libra e com a recuperação das ações das commodities, as empresas que seriam mais prejudicadas com uma saída da UE estão ficando para trás

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(Bloomberg) – A possível saída britânica da União Europeia está ampliando a divisão no maior mercado acionário da região.

Embora o FTSE 100 Index seja um dos indicadores de melhor desempenho da Europa em 2016 e se beneficie com a queda da libra e com a recuperação das ações das commodities, as empresas que seriam mais prejudicadas com uma saída da UE estão ficando para trás. Um índice compilado pelo JPMorgan que monitora 11 dessas empresas, incluindo o Barclays e a Next, está em queda de 13 por cento neste ano. Ele está abaixo do FTSE 100 pela maior diferença desde 2014, de cerca de 11 pontos percentuais.

Entre os investidores que apostam na continuidade dessa divergência está James Illsley, da JPMorgan Asset Management, uma das maiores gestoras de recursos do mundo, que alocou cerca de 80 por cento de seu fundo de ações britânicas em 100 membros da FTSE. A saída da Grã-Bretanha da União Europeia atingiria particularmente as empresas financeiras, que respondem por mais da metade do índice EU Referendum do JPMorgan, porque poderia levar o Banco da Inglaterra a manter as taxas de juros baixas por mais tempo, possivelmente prejudicando os lucros dos bancos, disse a empresa de Nova York em uma nota no mês passado.

“Em vez de prejudicar o sentimento em relação a todas as ações britânicas de uma forma geral, a ameaça da saída da Grã-Bretanha revelou disparidades significativas no mercado”, disse Illsley, gerente de fundo de ações britânicas da JPMorgan Asset em Londres. Sua empresa administra cerca de US$ 1,7 trilhão. “Pelo lado positivo, você tem a libra fraca sendo coberta pelo aumento do entusiasmo pelas mineradoras e pelas grandes empresas petroleiras. Esta tem sido uma grande oportunidade para nós”.

A incerteza em relação às consequências do plebiscito de 23 de junho sobre a permanência do país na UE derrubou a libra, que atingiu o nível mais baixo em sete anos em relação ao dólar. Esta é uma boa notícia para alguns: Illsley, da JPMorgan Asset, estima que cerca de 70 por cento dos lucros do FTSE 100 vêm do exterior. A Anglo American e a Glencore, cujas ações enfrentaram problemas em 2015 e tiveram uma recuperação de mais de 80 por cento neste ano, estão entre as empresas de commodities que divulgam seus lucros em dólares.

Por outro lado, todos os membros do índice EU Referendum do JPMorgan, exceto um, estão em baixa neste ano. A empresa varejista de vestuário Next, que possui fornecedores em 39 países, atingiu a maior baixa em um ano em fevereiro. A construtora Berkeley Group Holdings e as empresas imobiliárias British Land e Land Securities Group perderam mais de 11 por cento. Com todas as suas receitas vindo do Reino Unido, elas não apenas estão perdendo os benefícios de uma libra mais barata, mas também estão se tornando mais vulneráveis a qualquer contratempo no crescimento econômico doméstico — que segundo as projeções perderá força em 2016 pelo segundo ano seguido.

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O FTSE 100 está superando o desempenho do Euro Stoxx 50 Index pela primeira vez em cinco anos. Caiu 1,9 por cento em 2016, contra um declínio de 8,8 por cento na medida regional. Contudo, até mesmo as empresas financeiras britânicas sofreram com a queda deste ano. Com prejuízos de mais de 21 por cento, o Royal Bank of Scotland Group e o Barclays apresentam as maiores quedas do índice EU Referendum do JPMorgan.

Embora o sentimento em relação às ações do Reino Unido, de uma forma geral, tenha melhorado com o desempenho deste ano, o país continua sendo o menos preferido da Europa pelos gestores de fundos, segundo uma pesquisa do Bank of America do mês passado. Cerca de 54 por cento das ações do país pertencem a investidores de fora do Reino Unido, o que os deixa vulneráveis em caso de uma saída da UE.

Mas por enquanto as preocupações se mantêm moderadas. Um indicador das expectativas de volatilidade do FTSE 100 para os próximos 30 dias está no nível mais baixo do ano em relação a outro índice que monitora as oscilações das ações da zona do euro. Os traders, em vez disso, estão focando em se protegerem contra prejuízos mais adiante: as opções pessimistas de seis meses sobre o indicador de referência britânico estão perto de seus preços mais caros desde junho de 2012 em relação aos contratos otimistas, mostram dados compilados pela Bloomberg.

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