JPMorgan reitera Itaú e Bradesco como top picks; veja projeções para 8 empresas

Bradesco atualiza estimativas para Positivo Informática; Fator vê oportunidade em Marisa; BB Investimentos atribuiu recomendação neutra para Americanas e B2W
Agência bancária do Itaú (Foto: divulgação)
Agência bancária do Itaú (Foto: divulgação)

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SÃO PAULO – Diversas companhias tiveram suas recomendações revisadas por grandes instituições financeiras. Os analistas do JPMorgan, Saul Martinez, Domingos Falavina e Christopher Delgado mantiveram Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) como os top pick dentre as instituições financeiras.

Esta recomendação se deve, apesar das preocupações válidas acerca do setor no Brasil, pelo fato das duas serem líderes nos seus segmentos de mercado, possuindo boa rentabilidade. 

Além disso, apontam os analistas, os dois bancos podem se aproveitar de duas tendências no Brasil. A melhora da qualidade dos bancos privados – principalmente no caso do Itaú – e a dinâmica positiva de crescimento em seguros e previdência privada, que beneficiaria principalmente o Bradesco. Neste contexto, e levando em consideração a maior força do banco para melhorar o seu crédito, os analistas ressaltam a sua preferência pelo Itaú Unibanco.

Lojas Marisa: sem razão para cair tanto
Não acreditando que a queda de quase 30% das ações nos últimos 30 dias seja justificável e, mesmo considerando os efeitos negativos das recentes manifestações populares no tráfego de consumidores e vendas, os analistas do banco Fator Corretora seguem com perspectivas positivas para a Lojas Marisa (AMAR3). Os analistas Renato Prado e Taís Novaes seguem com recomendação de compra para os papéis da companhia, possuindo preço-alvo de R$ 43,47 para dezembro de 2013.

De acordo com eles, o cenário negativo para a bolsa brasileira explica em parte a queda das ações, acentuada ainda pela percepção da consistente alta nas taxas básicas de juros e a intensificação das manifestações pelo País e os seus efeitos negativas em vendas na categoria “mesmas lojas” (quando mensura apenas as lojas que já estavam abertas no período anterior) e margem dos resultados, o que ajudou a intensificar as baixas. 

Contudo, com relação às manifestações, Prado e Novaes afirmam que ainda é prematuro inferir com precisão qualquer impacto no resultado das empresas, ainda que o viés seja negativo. Como principal vetor nesse contexto está a confiança do consumidor. “Poderemos observar retração nas vendas em função de alguma mudança no padrão de consumo ou mesmo aceleração de vendas decorrente da postergação de consumo, já que o consumidor ficou de certa forma ‘impossibilitado’ de consumir durante as manifestações”, afirmam os analistas.

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Credit Suisse e Citi analisam Light com cautela
Após encontro anual com investidores realizado pela Light (LIGT3), os analistas do Citi Research e do Credit Suisse mantiveram a cautela acerca das projeções da companhia de energia elétrica. O analista Vinicius Canheu, do Credit, seguiu recomendação neutra para os ativos e preço-alvo de R$ 26,00, destacando a fala do CEO (Chief Executive Officer), Paulo Roberto Pinto, que reiterou querer manter os dividendos sem perder a visão sobre os investimentos de capital da companhia. 

“Entretanto, na nossa visão, a companhia não pode fazer ambos, uma vez que seu balanço está comprometido com uma dívida de R$ 5 bilhões”, aponta Canheu. Já os analistas do Citi, Marcelo Britto e Kaique Vasconcellos, mantém recomendação de venda para os ativos com preço-alvo de R$ 14,50, destacando que o novo guidance ainda é otimista no segmento de distribuição, em um cenário em que a companhia vem sofrendo com fortes perdas. 

Neste cenário, os analistas do Citi destacam pontos importantes: o primeiro, que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) não estaria interessada em baixar as perdas na distribuição de energia e a Light já sofreu com maiores perdas entre 2008 e 2013. Além disso, em segundo lugar, os protestos contra as altas tarifas de serviços no Brasil podem fazer autoridades cancelar ou postergar ajustes.

Bradesco Corretora revisa projeções para Positivo
De forma a incorporar o crescimento mais lento do mercado brasileiro de computadores pessoais, as novas premissas econômicas – principalmente a depreciação do real – e os novos produtos a serem incorporados nos resultados, a Bradesco Corretora atualizou as estimativas para a Positivo (POSI3), com recomendação de manter e preço-alvo de R$ 5,50.

“Vemos que a concorrência de PCs no Brasil tem se tornado mais favorável para a Positivo, com alguns players saindo do mercado, enquanto outros estão elevando os seus preços, o que deve ajudar a empresa a alcançar a sua meta de margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações/receita líquida) entre 5% e 7%”, destaca o analista Aloisio Lemos. 

Assim, enquanto algumas empresas, como a Samsung, tem adotado estratégia de preços voltada a alta renda, outras vêm saindo do mercado em função das vendas fracas. Apesar de uma visão não muito boa para o mercado brasileiro, Lemos avalia que o mercado desacelere para crescimento de um dígito, sustentado por uma maior penetração no setor de baixa renda. Pelo lado positivo, a entrada da empresa no segmento de tablets e celulares representa uma nova fonte de crescimento para a Positivo.

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Entretanto, aponta, a tese de investimento da Positivo é arriscada, com a depreciação do real devendo afetar o resultado do segundo trimestre, uma vez que grande parte dos custos está atrelada à moeda norte-americana. As baixas barreiras à entrada, os concorrentes internacionais e o fraco poder de barganha são outros fatores que pesam sobre a companhia. Por outro lado, a companhia deve apresentar bons números, aponta Lemos, impulsionados pelas encomendas robustas do governo.

Americanas e B2W: recomendação “neutra”
Visando incorporar as alterações nas perspectivas macroeconômicas bem como os últimos resultados reportados, o BB Investimentos revisou as projeções e o preço alvo de Lojas Americanas (LAME4) e B2W Digital (BTOW3).

O analista Thiago Gramari possui um preço-alvo para dezembro de 2013 de R$ 19,50 para LAME4 e de R$ 14,80 para a BTOW3, ambas com recomendação de market perform (desempenho em linha com a média do mercado). “Apesar de nos últimos trimestres os dados macroeconômicos para o setor mostrarem ligeiro arrefecimento, temos observado uma evolução positiva nos principais drivers para o setor nos últimos anos”,afirma Gramari.

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Nesse sentido, o analista acredita que as vendas no varejo manterão trajetória ascendente ao longo dos próximos anos, influenciadas, principalmente, pelo aumento da renda e da estabilidade do nível de desemprego, pelo controle da inflação e também pelo aumento na disponibilidade de crédito e na confiança do consumidor. Além disso, o aumento do consumo das classes C e D configura um importante pilar para o avanço da demanda agregada, aponta o analista. 

No caso da Lojas Americanas, um dos pontos mais sensíveis refere-se à estratégia de expansão – no final do 1º trimestre, a companhia possuía 732 lojas, sendo 466 do tamanho tradicional e 266 do formato express. Já referente à B2W, os anos de 2010 e 2011 foram marcados por alguns gargalos logísticos que prejudicaram a operação, mas a companhia vem conseguindo melhorar o grau de satisfação dos clientes, “reflexo da evolução dos processos operacionais e logísticos, base para a sustentação do crescimento da companhia”.

BofA reforça compra de Autometal após encontro
Após encontro com a diretoria da Autometal (AUTM3) sobre as oportunidades de expansão da companhia, os analistas do Bank of America Merrill Lynch, Murilo Freiberger, Sara Delfim e Roberto Otero seguiram com recomendação de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 24,00. 

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Na visão dos analistas, os investidores parecem positivamente impressionados com as oportunidades de crescimento na Ásia, principalmente após a companhia adquirir o controle da indiana Mahindra em meados de junho. De acordo com eles, o continente apresenta um rápido crescimento no mercado de autopeças, mas entrar neste mercado não é uma tarefa fácil. Assim, ter um parceiro local é prioritário para a Autometal. 

A parceria, apontam, pode oferecer ganhos e oportunidades que poderiam acrescentar valor de R$ 5,00 por ação; entretanto, os analistas recomendam aguardar mais por números mais visíveis e ficar mais confortável acerca da governança corporativa. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.