JPMorgan reforça compra para Sabesp mesmo com ‘risco Cantareira’; entenda

Para o banco, a companhia possui ferramentas para atravessar escassez hídrica

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Sistema Cantareira sob colapso em 2014
Sistema Cantareira sob colapso em 2014

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Os investidores continuam receosos em relação à Sabesp (SBSP3) e o impacto do regime de chuvas no abastecimento do estado de São Paulo. Ao longo dos últimos meses, o Sistema Cantareira chegou a ficar abaixo dos 20% da sua capacidade total. Em paralelo, no acumulado do ano, as ações da companhia caíram 7%, conforme os níveis dos reservatórios diminuíam.

Apesar da imprevisibilidade em relação aos níveis de chuva e o reabastecimento do Cantareira, em específico, o JPMorgan reforça o otimismo em sua avaliação. De acordo com o banco, a empresa está munida de ferramentas para driblar o que há de imprevisível e dar mais segurança aos investidores.

Em novo relatório, o banco reforçou a recomendação de overweight (acima da média), com novo preço-alvo de R$ 152 para o final de 2026.

Não perca a oportunidade!

“Nossa visão construtiva baseia-se principalmente no que é previsível”, explica o banco. O primeiro argumento diz respeito ao próprio modelo de distribuição de água, com o Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Essa estrutura combina os reservatórios da Sabesp para além do Sistema Cantareira. Esses outros reservatórios representam cerca de 50% do total do abastecimento e vêm se beneficiando de afluências acima da média histórica, aumentando a quantidade de água disponível para os consumidores.

Agora no mês de janeiro, por exemplo, a afluência de água no Sistema Integrado da Sabesp ficou próxima da média histórica agregada. Conforme o relatório, os outros reservatórios mais do que compensaram a menor afluência do Cantareira. Nos próximos 24 meses, a empresa pretende incluir novas transferências de água que devem adicionar +9 m³/s (cerca de 12% da produção total).

Modelo de negócio reduz riscos

Do lado do negócio, o banco também destaca que o arcabouço regulatório pós-privatização da Sabesp tem limitado os riscos de queda “econômica”. De acordo com os analistas, em um cenário de menores volumes comercializados, o impacto negativo sobre os resultados de curto prazo seria compensado em revisões tarifárias futuras.

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O novo modelo regulatório permite que as tarifas sejam definidas com base em volumes históricos de vendas. Em um cenário adverso, como o de uma crise hídrica mais profunda, por exemplo, a regulação prevê que a Sabesp aplique compensações financeiras por meio de revisão tarifária extraordinária, mediante aprovação da agência reguladora.

O JPMorgan destaca que os riscos de execução de melhorias operacionais e o risco político, com a participação significativa do governo do estado, são pontos de atenção.

Eventuais frustrações dos investidores com governança corporativa, com o ritmo de melhora da rentabilidade e com a cobertura tarifária podem levar a uma performance inferior à do mercado. Ao mesmo tempo que ruídos com as eleições municipais podem afetar a reputação da companhia.