JPMorgan reforça compra para ações da XP com retorno elevado e risco limitado

Relatório aponta valuation descontado e possibilidade de distribuição relevante de capital como principais gatilhos para as ações

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Divulgação)
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A XP Inc. (BDR: XPBR31) apresenta uma combinação atrativa de valorização potencial e retorno ao acionista, com capacidade de entregar yields elevados mesmo em um cenário de juros estáveis no Brasil, segundo relatório do JPMorgan.

Yuri Fernandes e equipe, analistas que assinam o relatório do banco, reiteraram recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para as ações da companhia negociadas na Nasdaq, destacando uma assimetria favorável na relação risco-retorno. O preço-alvo para dezembro de 2026 para os papéis negociados nos EUA é de US$ 26, ou um potencial de alta de 61%; já para o BDR (recibo de ações listadas no exterior negociado na B3), o preço-alvo é de R$ 136, com potencial de alta de 64%.

De acordo com a análise, o mercado pode estar subestimando a capacidade da XP de gerar retorno ao acionista por meio de dividendos e recompras de ações. Pelas estimativas do banco, a companhia pode distribuir cerca de R$ 5 bilhões a R$ 5,5 bilhões em capital excedente, o que implicaria um yield (rendimento) próximo de 12% a 13% — um dos mais altos dentro da cobertura do JPMorgan.

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Esse potencial é sustentado por uma posição de capital considerada robusta. A XP opera com um índice de Basiléia de aproximadamente 21% e tem como meta encerrar 2026 em uma faixa entre 16% e 19%, o que abre espaço para devolução de capital ao investidor.

Considerando diferentes cenários, a equipe de análise do banco estima que o excesso de capital pode variar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 8 bilhões.

Além disso, mesmo na hipótese de manutenção do atual nível de juros, o JPMorgan avalia que o retorno ao acionista pode sustentar o desempenho das ações. Já em um cenário mais favorável, com queda das taxas, a XP tende a se beneficiar adicionalmente, abrindo espaço para crescimento de receitas e expansão da base de ativos sob custódia (AUC).

O valuation também reforça a tese positiva. A ação negocia a cerca de 7 vezes o lucro estimado para 2027 e aproximadamente 1,6 vez o valor patrimonial, com retorno sobre patrimônio (ROE) ao redor de 23%. Para o banco, esse nível é considerado baixo diante do potencial de geração de caixa e crescimento da companhia.

Apesar da visão construtiva, o relatório destaca riscos que podem impactar a tese, como a maior competitividade dos bancos tradicionais, que podem dificultar ganhos de participação de mercado, além de desafios na execução de novas iniciativas, como expansão em crédito para pequenas e médias empresas.

Outros pontos de atenção incluem possíveis pressões sobre margens, especialmente em um ambiente de maior investimento operacional, e mudanças estruturais no setor, como o avanço de produtos com taxa zero e ETFs, que podem reduzir o yield de receitas.

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Ainda assim, o banco vê a XP bem posicionada no setor de investimentos no Brasil, com cerca de 17% de participação no mercado de AUC. Após ganhar espaço por vários anos, a companhia teve estabilização recente de participação, em parte devido ao ambiente de juros elevados, que favoreceu produtos bancários tradicionais — cenário que pode se reverter com eventual flexibilização monetária.

Na avaliação do JPMorgan, a combinação de valuation atrativo, forte geração de capital e potencial de distribuição elevada cria uma assimetria positiva para o papel, especialmente em comparação com outros nomes do setor financeiro na América Latina.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.