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O JPMorgan rebaixou a recomendação para as ações da Isa Energia (ISAE4) de overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para neutra, argumentando que a relação entre risco e retorno da companhia se tornou menos favorável após a valorização recente do papel e a redução das expectativas sobre potenciais catalisadores de curto prazo. O banco também estabeleceu preço-alvo de R$ 26,50 para o fim de 2027. Na sexta, as ações caíram forte, 7,16%, após precificar oferta a R$ 27.
Segundo o analista Arthur Pereira, a mudança de recomendação ocorre em um momento em que a empresa já negocia próxima do limite inferior da taxa interna de retorno (TIR) exigida pelo banco para o setor, especialmente após a incorporação de premissas macroeconômicas mais conservadoras, incluindo juros mais altos.
Outro fator citado pelo JPMorgan é a diminuição da probabilidade de um acordo com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), evento que vinha sendo visto pelo mercado como uma fonte potencial de geração de valor. O banco estima que uma eventual resolução poderia representar um potencial de valorização entre 20% e 30%, mas afirma que os sinais recentes, especialmente após a oferta primária de cerca de R$ 1,2 bilhão realizada pela companhia, tornaram esse cenário menos provável no curto prazo.
Apesar do rebaixamento, o JPMorgan mantém uma visão positiva sobre a qualidade do negócio. O banco destaca que a Isa Energia segue sendo uma empresa defensiva, beneficiada pela previsibilidade do fluxo de caixa e pela proteção natural contra a inflação proporcionada pelo segmento de transmissão de energia.

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O problema, na avaliação da instituição, está menos nos fundamentos operacionais e mais na avaliação de mercado. O relatório aponta que o valuation atual limita o potencial de valorização das ações, enquanto o elevado nível de alavancagem pode restringir a capacidade da companhia de distribuir dividendos mais robustos nos próximos anos.
O JPMorgan também atualizou suas projeções financeiras para incorporar novas premissas de investimentos e juros. O banco passou a considerar investimentos recorrentes de aproximadamente R$ 2 bilhões por ano em projetos de reforço da rede até 2032, além de um custo da dívida mais elevado, refletindo uma taxa real de cerca de 7,5%, cem pontos-base acima da estimativa anterior.
Nas projeções do banco, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado da Isa Energia deve crescer de R$ 3,5 bilhões em 2025 para R$ 4,3 bilhões em 2026 e cerca de R$ 4,9 bilhões em 2027, impulsionado pela expansão da base de ativos regulatórios e pelos investimentos na rede de transmissão.
Entre os riscos para a tese, o JPMorgan cita a possibilidade de a companhia não conseguir acompanhar o ritmo esperado de investimentos em reforços e expansão da rede, seja por limitações operacionais ou por mudanças regulatórias que permitam menor volume de investimentos.
O banco também destaca o passivo relacionado ao pagamento de complementação de aposentadorias, estimado em cerca de R$ 200 milhões por ano até 2032, que pode se estender por período mais longo que o projetado.
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Outro ponto de atenção é uma eventual mudança nas regras de remuneração via juros sobre capital próprio (JCP). Segundo o JPMorgan, a eliminação desse benefício tributário poderia reduzir seu preço-alvo em aproximadamente R$ 2,50 por ação.