JPMorgan rebaixa Cyrela e Eztec e CYRE3 cai forte; Tenda segue como principal escolha

Banco revisou suas estimativas para as construtoras brasileiras e recomenda posicionamento no segmento de baixa renda no curto prazo

Felipe Moreira

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Reprodução / Pixabay
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O JPMorgan revisou suas estimativas para as construtoras brasileiras e recomenda posicionamento no segmento de baixa renda no curto prazo, mantendo sua preferência por Tenda (TEND3), com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 46.

Segundo o banco, a deterioração do cenário macroeconômico, com risco de juros mais altos por mais tempo, favorece uma carteira mais defensiva, embora uma eventual alta da inflação possa pressionar mais os resultados desse segmento.

A Tenda segue como principal recomendação devido à exposição ao programa Minha Casa Minha Vida e valuation atrativo. O JPMorgan aponta potencial de valorização de cerca de 50% até dezembro de 2026, possível revisão positiva do lucro líquido com melhorias no programa habitacional, múltiplo de cerca de 6,3 vezes lucro estimado para 2026 (abaixo dos pares) e opcionalidade de recuperação na Alea, subsidiária de wood frame.

Por outro lado, o banco rebaixou Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) de compra para neutro, com preços-alvo de, respectivamente, R$ 35,50 e R$ 20, já que o primeiro e o segundo trimestres devem ser impactados pelas incertezas macroeconômicas.

Com isso, e também em um dia de aversão a risco do mercado, às 10h35 (horário de Brasília) desta quinta-feira (2), Cyrela (CYRE3) caía 5,75% (R$ 26,88), entre as maiores baixas do Ibovespa. Fora do índice, EzTec caía 3,16%, a R$ 13,76. Contudo, mesmo a Tenda registrava baixa de 3,29%, a R$ 30,28.

No caso de Cyrela, o rebaixamento reflete as incertezas macro e o risco de juros elevados por mais tempo, com impacto nas expectativas de lançamentos e velocidade de vendas no primeiro semestre de 2026.

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Já a Eztec deve enfrentar pressão nas vendas de estoque e nos lançamentos, devido ao cenário macro e a entraves regulatórios em São Paulo, além de incertezas sobre a venda do projeto Esther Towers, que ainda está embutida no preço-alvo.

Apesar da visão cautelosa para a média renda, o JPMorgan destaca que o setor também reage ao sentimento de mercado, e notícias positivas relacionadas às eleições de outubro podem compensar parte dessas incertezas.

MRV, Cury e Direcional

O JPMorgan manteve recomendação overweight para MRV (MRVE3), com preço-alvo de R$ 11. Para Cury e Direcional, a recomendação é neutra, com preços-alvo de R$ 47,50 e R$ 18,50, nesta ordem.

Para a MRV, a expectativa é de forte geração de caixa livre neste ano, refletindo a recuperação operacional, avanço nos resultados recorrentes e redução de riscos na operação americana Resia, com parte relevante do plano de desinvestimento já executada. A ação também apresenta o menor múltiplo projetado de lucro para 2027 entre as ações cobertas.

No caso da Cury, apesar de novas revisões positivas nas estimativas, a recomendação neutra se deve ao menor potencial de valorização, valuation mais elevado e riscos operacionais, como gargalos de engenharia, dificuldades em aprovações em São Paulo e impacto da inflação nas margens. A empresa, por outro lado, deve oferecer dividendos elevados em 2026, próximos de 7%.

A Direcional também tem recomendação neutra, baseada principalmente na comparação de valuation com pares. Apesar das margens brutas sólidas, o resultado final tem ficado abaixo das expectativas, pressionado por efeitos financeiros e participação de minoritários.

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