JPMorgan mantém Totvs como principal escolha em tecnologia e vê alta de 77%

Banco destaca resiliência operacional da companhia e o bom ritmo do segmento de gestão, considerado o principal motor de resultados da empresa

Felipe Moreira

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Foto: Reuters
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O JPMorgan revisou suas estimativas para a Totvs (TOTS3) após os resultados do primeiro trimestre de 2026 e reforçou a companhia como sua principal recomendação no setor de tecnologia da América Latina. Segundo o banco, a empresa combina liderança no mercado brasileiro de ERP (sistemas de gestão empresarial), crescimento consistente, expansão de margens e forte geração de caixa, mesmo diante dos desafios de curto prazo relacionados à incorporação da Linx.

Na avaliação da instituição, a Totvs segue negociando a níveis atrativos, com as ações cotadas a cerca de 18 vezes o lucro estimado para 2026. O JPMorgan destaca ainda a resiliência operacional da companhia e o bom ritmo do segmento de gestão, considerado o principal motor de resultados da empresa.

O banco reduziu o preço-alvo de R$ 58 para R$ 57, refletindo o aumento do WACC (custo médio ponderado de capital), que passou de 11,8% para 12% em meio à elevação das taxas de juros livres de risco nos Estados Unidos. Apesar do ajuste, o JPMorgan manteve recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra).

O banco destacou que o segmento de gestão, principal negócio da Totvs, continua apresentando desempenho robusto. A companhia detém cerca de 50% de participação nas receitas do mercado brasileiro de ERP, com foco em empresas de médio porte.

Segundo o JPMorgan, o ritmo de fechamento de novos contratos segue sólido, apesar das preocupações do mercado relacionadas à inteligência artificial. As adições brutas orgânicas de ARR (Annual Recurring Revenue, ou receita recorrente anual) cresceram 24% na comparação anual no primeiro trimestre.

A instituição também apontou melhora gradual da rentabilidade. Excluindo os efeitos da Linx, a margem avançou 200 pontos-base no trimestre, mesmo com impactos matemáticos negativos decorrentes de mudanças tributárias trabalhistas, que transferiram deduções de receita para custos.

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Nas estimativas, o JPMorgan reduziu em 1% a projeção de receita consolidada para 2026 e manteve praticamente estável a previsão para 2027. Por outro lado, elevou a projeção de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado em 4% para 2026 e 3% para 2027, além de aumentar a expectativa de lucro ajustado em 2% e 6%, respectivamente.

No segmento de gestão, incluindo a Linx, o banco elevou as projeções de receitas recorrentes em 3% para 2026 e 1% para 2027, embora parte desse ganho tenha sido compensada por receitas menores de serviços, consideradas de menor valor agregado. O EBITDA da divisão foi elevado em 5% para 2026 e 4% para 2027, refletindo evolução consistente da rentabilidade.

O JPMorgan avalia que a Totvs negocia a múltiplos atrativos, com P/L (preço sobre lucro) de 17,7 vezes para 2026 e 15 vezes para 2027. O banco destaca que a companhia cresce receitas em ritmo orgânico próximo de 15% ao ano e deve expandir lucros em cerca de 19% ao ano, apoiada por ganhos de margem e sinergias com a Linx. Além disso, ressalta a forte conversão de lucro em caixa, com yield de fluxo de caixa livre estimado em 5,6% para 2026.