JPMorgan eleva recomendação de Azul (AZUL53) para neutra com fim do Chapter 11

A revisão se deve à expectativa de um balanço mais forte, enquanto o JPMorgan também cita o valuation relativamente atraente

Felipe Moreira

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Azul (Foto: Divulgação)
Azul (Foto: Divulgação)

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O JPMorgan elevou a recomendação das ações da Azul (AZUL53) de underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para equal-weight (exposição igual a média do mercado, equivalente a neutro), após a companhia sair do Chapter 11 (recuperação judicial nos EUA). O banco estabeleceu preço-alvo de R$ 275 para dezembro de 2026, o que implica potencial de alta de 28%.

A revisão se deve à expectativa de um balanço mais forte, com a Azul encerrando 2026 com dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 2,4 vezes, resultado de renegociações que reduziram pagamentos de leasing e custos financeiros.

O JPMorgan também cita o valuation relativamente atraente, diante do múltiplo de 4,0 vezes EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda) estimado para 2026, considerando ações totalmente diluídas, entre os mais baratos da cobertura.

Além disso, o banco destaca o crescimento de capacidade em um dígito baixo e maior foco em rentabilidade, o que deve ajudar a manter o equilíbrio entre oferta e demanda.

Por outro lado, o JPMorgan pontua que ainda existem eventos de diluição acionária pendentes, incluindo a participação da American Airlines (8% após diluição) e o plano de incentivo à gestão (MIP), que pode chegar a 7% do capital ao longo de três anos, condicionado ao desempenho.

O banco ainda espera que a empresa reliste seu ADR (recibo de ações negociadas nos EUA) em breve, fatores que podem continuar pressionando a tese de investimento no curto prazo e impedem uma recomendação mais otimista neste momento.

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Setor aéreo na América Latina

Após a recente disparada do petróleo, as ações de companhias aéreas caíram cerca de 12% em média desde o início do conflito, o que levou o JPMorgan a cortar as estimativas de EBITDA em 5,5% neste ano.

Nesse ambiente, o banco prefere as ações da Copa Airlines, do sede no Panamá, e da LATAM. Ambas têm balanços mais leves — alavancagem de 0,6 vez para a Copa no 4T25 e 1,5 vez para a LATAM — além de momento mais forte de resultados, o que aumenta a resiliência em períodos de incerteza.

Em termos de valuation, a Copa negocia a 4,7 vezes EV/Ebitda estimado para 2026 e a LATAM a 4,5 vezes, ambos abaixo de picos recentes acima de 5,5 vezes. O banco vê potencial de reprecificação do setor no médio prazo, caso a oferta global de petróleo se estabilize.