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SÃO PAULO – Incorporando melhores estimativas de lucro e geração de caixa, o JPMorgan reitera a recomendação de overweight (peso acima da média do portfólio) à Copel (CPLE6), elevando o preço-alvo de R$ 38,00 para R$ 43,00 por ação, visando dezembro de 2010.
A nova projeção prevê um upside cujo valor atual não reflete os fundamentos da empresa, segundo o banco. Em relatório assinado pelo analista Anderson Frey, o JPMorgan ressalta que as ações da Copel tiveram performance 504 pontos-base abaixo do setor elétrico e 405 pontos-base abaixo do Ibovespa nos últimos três meses.
A mudança no preço-alvo se deve às estimativas mais altas de demanda para a Copel, com um crescimento previsto de 5,4% para este ano, ante os 2,6% anteriores. Dessa forma, os analistas elevaram as previsões de Ebitda (geração operacional de caixa) e lucro líquido em respectivos 16% e 23% para este ano e 12% e 24% para 2011.
Risco político: principal driver
“Nós acreditamos que o valuation da Copel não reflete completamente a redução do risco político vinda do final do governo de Requião no estado do Paraná em 2010”, frisa o banco.
Segundo Anderson Frey, este é o principal driver das ações neste ano. Requião tem a reputação de exercer uma forte influência política sobre a direção da Copel e suas decisões de investimento. Por outro lado, os candidatos que atualmente lideram as pesquisas nas eleições estaduais “são vistos como menos populistas e mais amigáveis ao mercado”.
O que muda com a saída de Requião
“Na nossa opinião, a implicação imediata do processo eleitoral para a Copel é que a companhia deve operar em um ambiente político onde os ajustes tarifários aprovados pelo regulador são totalmente implementados, sem interferência externa e a influência populista nas decisões da administração é, ao menos, reduzida”, julga Frey.
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Atualmente, a Copel exerce tarifas com um desconto de 13%, o que deve superado com um novo governo. A estimativa do JPMorgan é que essa diferença seja reduzida já em meados de 2011, sendo um dos principais drivers da ação.
Os investimentos da empresa também devem mudar com a saída de Requião. A Copel deve voltar a focar em seu negócio principal de distribuição, ao invés de mirar projetos não relacionados com energia, como tem feito recentemente sob influência do governador.
Outro ponto que o JPMorgan frisa é a possibilidade de elevação da proporção do lucro que é entregue aos acionistas sob a forma de dividendos. Atualmente em 25%, esse payout pode subir para 50% em um ambiente mais amigável, segundo o banco, sem comprometer o capex (capital de investimento) ou o rolamento das dívidas.
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Por fim, a saída de Requião pode ter impactos também nos gastos da companhia. “O controle de custos é o principal driver para aumentos da lucratividade de longo prazo de companhias de distribuição”, explica Frey. Vale ressaltar, contudo, que o analista não inclui esses três últimos drivers em suas premissas.
Alguns outros catalisadores
Sem deixar a redução do risco político de lado, Anderson Frey ressalta ainda outros catalisadores de curto prazo – ou seja, que devem influenciar o preço das ações antes de 2011. Um deles é o crescimento da demanda.
De acordo com a análise do JPMorgan, a Copel deve ser a maior beneficiada da recuperação do consumo de energia no Brasil, devido às suas baixas tarifas. O outro catalisador é o reajuste tarifário anual da empresa, marcado para o dia 24 de junho, que pode dar início a uma redução no desconto de 13% das tarifas da empresa.
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Riscos
Por fim, é necessário ressaltar os riscos à visão otimista do banco. Entre eles, os principais são aquisições a preços não atrativos, deterioração do cenário político no Paraná antes do novo governador assumir em 2011, aumento dos custos administráveis e ratificação da atual política de desconto também no ano que vem. Atrasos na construção da hidrelétrica de Mauá e preços de geração elétrica também são ressaltados por Frey como riscos consideráveis.