JPMorgan: após integrar Vivo e Telesp, Telefónica pode correr atrás da TIM

Para banco, elevação no preço da oferta sugere que companhia espanhola já calculou sinergias de consolidação em telefonia móvel

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SÃO PAULO – A Telefónica elevou em 14%, de € 5,7 bilhões para € 6,5 bilhões, sua oferta pela parte que a Portugal Telecom detém na Brasilcel, controladora da Vivo (VIVO4). Em nota oficial, a administração da Portugal Telecom mais uma vez rejeitou a oferta, mas dessa vez a proposta será levada à avaliação dos acionistas. 

Para o JPMorgan, o prêmio oferecido pela fatia da companhia portuguesa na operadora móvel brasileira provavelmente representa a estimativa da Telefónica de ganhos em sinergia com consolidações no setor de telefonia do País. No entanto, nota o banco, as sinergias de uma fusão entre Vivo e Telesp (TLPP4) seriam de aproximadamente ‘apenas’ € 1,07 bilhão. Com isso, a instituição, em relatório assinado por Andre Baggio, Rajneesh Jhawar e Anna Daher, aposta que nesse preço estão incluídos ganhos advindos de um potencial fusão entre Vivo e TIM (TCSL4). 

Valor estratégico
Esse seria, portanto, o próximo passo para a companhia espanhola no Brasil, caso a iniciativa de aquisição da totalidade do controle da Vivo seja bem sucedida. O JPMorgan avalia que até a Portugal Telecom já vislumbra posicionamento nesse sentido. De acordo com a visão do banco, o anúncio feito pela administração da companhia de que a oferta “não reflete o valor estratégico do ativo para a Telefónica” mostra que a empresa espanhola têm opções que vão além de uma simples consolidação entre telefonia fixa e móvel. 

Além disso, a leitura do banco norte-americano é de que a oferta já sobrepujou a estimativa de valor estratégico da Vivo para a própria Portugal Telecom. Isso porque a nova oferta representa um excedente de 80% no valor de mercado da fatia que a companhia portuguesa possui na operadora móvel brasileira, mesmo após o rali recente das ações. 

A instituição lembra que o tag-along para as ações ordinárias da Vivo (VIVO3) é de R$ 101. E embora as ações PN não tenham esse diferencial, o valuation implícito (8,9 vezes a estimativa de EV/Ebitda de 2010) ajuda na reavaliação das ações da companhia, classificadas como overweight (performance nos próximos doze meses acima do retorno estimado para o universo de cobertura da instituição) pelo banco. 

Próximos passos
Se a votação entre os acionistas for positiva para a Telefónica (e o banco acredita que a companhia já deve ter agregado apoio para a oferta nesse valor), o sucesso da empreitada irá depender do governo português, detentor de uma golden share, que lhe dá poder de veto, na Portugal Telecom.

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O JPMorgan acredita ser improvável que Portugal crie confusão com a União Europeia para bloquear a transação. Nesse cenário, a alternativa da Portugal Telecom seria procurar outros ativos no Brasil. Já para a Telefónica, além do esperado movimento de integração entre telefonia móvel e fixa, o banco norte-americano acredita que isso pode ser seguido de uma “potencial consolidação com a TIM”. Por isso, a companhia também recebe classificação overweight.