JP Morgan rebaixa sua recomendação para as ações da Embraer

Para instituição, efeitos da crise e apreciação do real ainda devem prejudicar a empresa por algum tempo

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SÃO PAULO – Em destaque no mercado nesta quarta-feira (6), depois da notícia da concordata da Mesa Air Group, a Embraer (EMBR3) recebeu outro golpe: o JP Morgan rebaixou sua recomendação para as ações da companhia em vista da perspectiva negativa para os próximos dois anos.

“Estamos rebaixando a Embraer para underweight – desempenho abaixo da média do mercado nos próximos 12 meses – de neutral – desempenho em linha com a média do mercado – uma vez que as ações tiveram uma forte performance recentemente”, disseram os analistas do banco norte-americano, que também se mostraram preocupados com os desafios que a companhia deverá enfrentar nos próximos anos.

Desafios
Apesar do pior da crise aparentemente já ter passado, seus efeitos ainda devem prejudicar a empresa brasileira por algum tempo, devendo se traduzir em desistências de pedidos de aeronaves. Isto se torna ainda mais preocupante quando se leva em consideração o tamanho relativamente pequeno da lista de reservas da empresa. “Os pedidos precisam aumentar logo para impedir cortes de produção maiores”, avalia o JP Morgan.

Outro agravante é a deterioração das margens da empresa com a apreciação do real frente ao dólar, que leva seus custos denominados na moeda brasileira a crescerem enquanto suas receitas, estas em sua maioria denominadas na divisa norte-americana, a caírem. 

A própria perspectiva de menores vendas deverá ajudar a manter as margens pressionadas, reduzindo as receitas e dividindo os custos fixos sobre uma base cada vez menor. Mesmo a Embraer sendo mais capaz de manter seus preços do que seus competidores, os analistas dizem não acreditar que ela saia imune deste díficil cenário.

Atratividade
Contudo, apesar do pessimismo das projeções, o JP Morgan ressalta que a Embraer conta com fundamentos que deverão garantir que ela se torne atrativa outra vez no futuro, depois que as turbulências financeiras sejam superadas.

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Entre os pontos de força levantados se destacam as perspectivas positivas para o segmento defensivo da companhia, que deverá se beneficiar das ambições do Brasil de se tornar mais atuante globalmente, e o foco de negócio de suas operações.   

Ações
As ações ordinárias da companhia contrariam o pregão positivo para o Ibovespa e reagem com desvalorização de 0,62% nesta tarde.