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Os Estados Unidos divulgam dados importantes para o mercado financeiro nesta terça-feira (29), começando pela confiança do consumidor referente a julho, às 11h, seguida pela pesquisa Jolts (Job Openings and Labor Turnover Survey) de junho, que mede as vagas de emprego e a rotatividade na força de trabalho, também às 11h. Ao mesmo tempo, o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil iniciam suas reuniões de dois dias sobre os rumos dos juros, com expectativa de manutenção da taxa juros em ambos os casos.
No Brasil, às 8h, será divulgado o índice de confiança da indústria de julho, que aponta o sentimento do setor produtivo sobre as condições econômicas atuais. Entre as empresas com agenda corporativa estão Intelbras (INTB3) e Motiva (MOTV3).
O banco Santander revisou para baixo as estimativas de receita, EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e lucro líquido da Intelbras para 2026, em 10%, 4% e 11%, respectivamente, em função das expectativas mais fracas nos segmentos de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) e Energia. Ainda assim, destaca que a empresa deve retomar a geração de caixa e apresentar margens em torno de 13,4% de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), com potencial de valorização das ações.
O que vai mexer com o mercado nesta terça
Agenda
A agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (29) começa às 9h, com reunião no Palácio da Alvorada com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e o secretário de Imprensa da mesma pasta, Laércio Portela. Às 15h30, Lula recebe o ministro da Defesa, José Múcio, no Palácio do Planalto. Em seguida, às 16h, se reúne com o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcos Rogério de Souza. Às 16h30, o compromisso é com a presidenta do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.
Às 15h, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, concede entrevista à CNN.
Brasil
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- 8h – Confiança da indústria (julho)
EUA - 11h – Confiança do consumidor (julho)
- 11h – Jolts (junho)
- 17h30 – Estoques de petróleo (API) semanal –
INTERNACIONAL
Mais tarifas
Trump afirmou que pretende impor tarifas entre 15% e 20% a países que não firmarem acordos comerciais com os EUA. O Brasil segue com taxa de 50%, mais que o dobro da média global. Trump também quer que a China abra seus mercados e negocia nova trégua tarifária. Um possível acordo deve ser fechado até 12 de agosto. A União Europeia já aceitou tarifa de 15% e promete investir US$ 600 bilhões nos EUA.
Grande acordo
Trump afirmou ainda que assinou um “grande acordo comercial” com o Reino Unido, ao lado do premiê Keir Starmer, mas não deu detalhes. Chamou o pacto de “maior de todos” e elogiou a aproximação com os britânicos. Trump também prometeu tarifas para farmacêuticas “em breve”, mas disse que o Reino Unido não será afetado. Ambos destacaram interesse em parcerias para pequenos reatores nucleares.
Sanções
A Casa Branca avalia aplicar sanções a ministros do STF usando a Lei Magnitsky, que impõe restrições financeiras e diplomáticas, segundo reportagem do site Metrópoles. Alexandre de Moraes seria o primeiro alvo, seguido por Barroso e Gilmar Mendes. Os três já tiveram os vistos americanos cancelados. O procurador-geral Paulo Gonet e delegados da PF também estão no radar. A medida agrava o clima às vésperas da entrada em vigor do tarifaço contra o Brasil.
Tarifas da Venezuela
A Venezuela voltou a isentar produtos brasileiros de tarifas, após cobrar impostos sem aviso prévio e descumprir um acordo bilateral firmado em 2014. Segundo a Fier (Federação das Indústrias de Roraima), o problema teria sido causado por falhas nos sistemas de TI da aduana venezuelana. Exportadores relatavam que certificados de origem do Brasil não estavam sendo reconhecidos. O Itamaraty foi informado e acionou a embaixada em Caracas para apurar a situação. Até segunda-feira (28), o ministério não havia se manifestado oficialmente.
ECONOMIA
Leilão do BC
O Banco Central informou que fará na terça-feira, das 10h30 às 10h35, leilão de linha (venda de dólares com comprimisso de recompra) de até US$1 bilhão, para rolagem do vencimento de 4 de agosto.
INSS
O INSS vai ressarcir até quarta-feira (30) mais de 1,1 milhão de aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos. Os pagamentos começaram na quinta (24) e seguem a ordem de adesão ao acordo, com correção pelo IPCA. Beneficiários que não receberam resposta após 15 dias úteis podem aderir. O INSS também começou a enviar mensagens por WhatsApp, sem links nem pedidos de dados. A adesão pode ser feita pelo app Meu INSS ou nos Correios, de forma gratuita.
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Sem fome
O Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da ONU, com menos de 2,5% da população em subnutrição entre 2022 e 2024, conforme relatório da FAO divulgado nesta segunda-feira (28). A exclusão, anunciada na 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares na Etiópia, ocorre após piora nos indicadores entre 2018 e 2020, especialmente devido à pandemia.
IOF
O aumento das alíquotas do IOF eleva o custo do crédito para microempreendedores individuais (MEIs) e empresas do Simples Nacional. O teto para crédito empresarial subiu de 1,88% para 3,38% ao ano, e a alíquota fixa para essas empresas quase dobrou, segundo Charles Gularte, da Contabilizei. Em empréstimos de até R$ 30 mil, o IOF anual passou de 0,88% para 1,95%, impactando diretamente a margem de lucro dos pequenos negócios. A mudança quer uniformizar o tratamento tributário e deve aumentar a arrecadação em R$ 11,5 bilhões em 2025. Especialistas alertam para dificuldades no acesso ao crédito e maior planejamento financeiro.
Crédito livre
As concessões de crédito livre dos bancos caíram 1,4% em junho, totalizando R$ 570 bilhões, informou o Banco Central. No acumulado de 12 meses, houve alta de 14,8%. O crédito para pessoas físicas recuou 0,4%, enquanto para empresas caiu 2,5% no mês, mas ambas registram crescimento anual. A taxa média de juros no crédito livre ficou estável em 45,4%, com destaque para o cheque especial, que subiu para 137,5%. O Indicador de Custo de Crédito aumentou levemente para 23,1%, refletindo o custo médio pago pelos brasileiros.
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Dívida pública
A dívida pública federal subiu 2,77% em junho, atingindo R$ 7,883 trilhões, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira. A dívida interna aumentou 2,99%, para R$ 7,581 trilhões, enquanto a externa recuou 2,28%, para R$ 302,1 bilhões. O crescimento refletiu emissão líquida de R$ 154,6 bilhões e juros de R$ 65,1 bilhões. O custo médio da dívida acumulado em 12 meses caiu de 11,73% para 11,41% ao ano, apesar da alta nas novas emissões. O prazo médio da dívida diminuiu para 4,14 anos, e a reserva de liquidez subiu para R$ 1,03 trilhão.
Queda
A Petrobras anunciou que os preços da molécula de gás natural terão queda média de cerca de 14% a partir de 1º de agosto para contratos com distribuidoras, refletindo a baixa de 11% no petróleo Brent e a valorização de 3,2% do real frente ao dólar. Desde dezembro de 2022, o preço médio recuou 32%, podendo atingir mais de 33% com prêmios de desempenho.
POLÍTICA
Plano de contingência
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda o plano de contingência elaborado pelas pastas da Fazenda, da Indústria e das Relações Exteriores para mitigar os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil. “Os cenários possíveis já são de conhecimento do presidente Lula. Nos debruçamos sobre isso agora”, disse Haddad.
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Reconsideração
O presidente Lula pediu na segunda-feira (28) que Donald Trump reconsidere as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, previstas para entrar em vigor em 1º de agosto. Em discurso no Rio, Lula defendeu diálogo em vez de decisões unilaterais. Ele também criticou o interesse dos EUA em minerais críticos do Brasil e prometeu controle estatal sobre essas riquezas. Segundo o presidente, 70% do território ainda não foi mapeado quanto ao potencial mineral. A comercialização desses recursos, afirmou, será supervisionada pelo governo.
Improvável
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta segunda-feira (28) que é improvável o adiamento das tarifas de 50% impostas por Donald Trump a produtos brasileiros. Em Washington, Wagner participa de uma missão parlamentar que tenta reabrir canais políticos com o Congresso dos EUA. Segundo ele, o foco é criar ambiente para o diálogo entre os governos. A iniciativa ocorre após Trump vincular o tarifaço ao STF e ao julgamento de Bolsonaro. A comitiva aposta em apoio empresarial e parlamentar para frear a medida.
Diálogo
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira que o governo brasileiro está dialogando com o governo dos Estados Unidos sobre tarifas pelos canais institucionais e com reserva.
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Minerais críticos
O Brasil vai criar uma comissão para levantar e controlar suas riquezas naturais, como minerais críticos, disse o presidente Lula. Ele também afirmou que o País vai ficar com esses minerais e aproveitar seus benefícios.
Sem poder
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (28) mostra que 59% dos brasileiros não acreditam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha poder para reverter a inelegibilidade de Jair Bolsonaro até 2030. Apenas 31% consideram possível essa interferência, enquanto 10% não opinaram. Entre eleitores de Bolsonaro, a opinião está dividida, com 46% acreditando na influência de Trump e 45% desacreditando. Bolsonaro foi declarado inelegível em duas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e uso eleitoral de eventos oficiais. Apesar das tentativas do ex-presidente e seus aliados, o cenário jurídico permanece sob controle da Justiça brasileira.
Resposta
O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respondeu às críticas de parlamentares bolsonaristas após condenar a proposta de anistia ampla aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Em nota à CNN, Pacheco afirmou que convive com ataques da extrema-direita desde antes de comandar o Congresso e reforçou que nunca cedeu a essas pressões. Ele reafirmou seu compromisso com a democracia e repudiou a tentativa de ruptura institucional, destacando que a defesa da Constituição deve ser uma obrigação de todos os setores políticos. Parlamentares bolsonaristas, como Bia Kicis e Giovani Cherini, reagiram atacando o senador, acusando-o de bajular o governo Lula e de atuar em favor da campanha de 2026.
Trama golpista
O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima disse ao STF que o documento com plano para prender ministros foi um estudo de cenário do Exército sobre possível fraude eleitoral em 2022. Ele afirmou que o material, chamado “Desenho Op Luneta”, não tinha caráter golpista e foi abandonado por ordem superior. A PGR vê o documento como parte de um plano golpista, mas Ferreira Lima negou essa interpretação. Ele é réu no caso da trama golpista e prestou depoimento junto a outros militares nesta segunda.
Corporativo
Vivo (VIVT3)
A Telefônica Brasil, dona da Vivo (VIVT3), registrou um lucro líquido de R$ 1,34 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 10% em comparação com o mesmo período do ano passado. Analistas esperavam, em média, lucro líquido de R$ 1,37 bilhão para a empresa de telecomunicações no período, segundo dados da LSEG.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Telefônica Brasil, controlada pela espanhola Telefónica, totalizou R$ 5,93 bilhões nos meses de abril a junho, avanço de 8,8% na base anual e praticamente em linha com expectativa de analistas de R$ 5,92 bilhões, ainda de acordo com informações da LSEG.
(Com Reuters, Estadão Conteúdo, Agência Brasil e Bloomberg)
