Jim Rogers chama Dilma de “aquela senhora” e diz que é impossível investir no País

Para ele, o País precisa parar de impedir capital novo de entrar, tornando-o mais acessível e sem controle de moeda, criticando os esforços de "guerra cambial" praticados pelo governo de Dilma
Jim Rogers (crédito: Wikimedia Commons)
Jim Rogers (crédito: Wikimedia Commons)

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SÃO PAULO – Jim Rogers, um dos maiores investidores do mundo disse que está se tornando impossível investir no Brasil, por conta de quem ele chamou de “aquela senhora” – a presidente da República. Em entrevista ao Estado Broadcast, do grupo do Estado de S. Paulo, o economista destacou que “ela está tornando ilegal investir no Brasil”, salientando que não investe mais e nem deverá voltar a investir tão cedo no Brasil. 

Para ele, o País precisa parar de impedir capital novo de entrar, tornando-o mais acessível e sem controle de moeda, criticando os esforços de “guerra cambial” praticados pelo governo de Dilma. “Ela coloca obstáculos para Chineses e Coreanos, aqueles que são grandes ‘clientes’ do Brasil. Ela não está ajudando o Brasil, está prejudicando, deveria haver uma abertura maior do País, uma abertura maior para o capital”, afirma. 

Com isso, ele acredita, o Brasil se tornaria uma das grandes economias mundiais – algo que, em sua opinião, tem sido impedido apenas pelo governo. “Já houve tempos de se investir no Brasil, mas quando você tem alguém que é contra expertise, contra capital, que ataca seus parceiros, alguém com esse tipo de atitude, então não dá para investidor no Brasil, se isso mudar, voltarei a colocar meu dinheiro lá”, salienta Rogers.

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Crise global deve continuar
Se o crescimento não vem no Brasil, é válido ressaltar que não há uma onda de crescimento ao redor do mundo – com a crise nos EUA e na Europa prejudicando os investidores. A situação do Chipre, em especial, o preocupa por conta dos mecanismos que podem ser usados para revolvê-la. “É ultrajante o que está acontecendo lá, pessoas falam que vão colocar dinheiro no banco, porque é garantido. E de repente o governo está roubando o dinheiro deles. Espero que todos estejam mesmo preocupados com o que estão fazendo, pois isso cria um precedente”, destaca.

O resgate no Chipre criam um problema, mas não resolvem o problema: os países da Europa continuam a ter déficit maiores este ano do que no ano passado, déficits que vão continuar crescendo até que os problemas sejam resolvidos. Ele crê que a exclusão do Chipre da zona do euro não é solução. “Isso só pioraria as coisas, e com certeza não ajudaria o Chipre, “, avisa. 

Além disso, a situação lembra o Japão na década de 1990, quando o governo não deixou as companhias falirem – transformando-os em “zumbis”. “Agora o Japão já tem duas décadas perdidas. Apoiar os falidos não funciona, nunca funcionou e por isso o mundo ainda não se recuperou. Se você deixar que as empresas declarem falência, deixar que as pessoas competentes se reorganizem para começar de novo, então vamos sair desse problema”, avisa.

O problema, portanto na visão de Rogers, é uma economia mundial cada vez mais fraca, com um Estados Unidos cada vez mais decadente e uma China que, embora desponte, não poderá crescer no ritmo das últimas décadas sem pressionar a economia. Corrida para o porto seguro? O lendário investidor acha que não. “ão existe isso de porto seguro. Gostaria de conhecer algo que fosse seguro e, se você souber, por favor, me diga”, termina.