Jim O’Neill: Brasil tem que parar de criticar o Fed e ser mais eficiente

Economista criador do termo BRIC diz que culpar a autoridade norte-americana é "desculpa para desviar atenção sobre as contradições do País"

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SÃO PAULO – O economista Jim O’Neill, presidente do conselho do Goldman Sachs Asset Management, rebateu as recentes críticas do governo brasileiro sobre os programas de estímulo à economia promovidos pelo Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA). Desde que foi anunciado o QE3 – a nova rodada de injeção de liquidez norte-americana – autoridades brasileiras elevaram o tom das críticas de que o país inundaria o mundo com um enxurrada de dólares, contribuindo, assim, para a valorização do real.

Para o criador da sigla BRIC (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China), o País deve parar de criticar os EUA e tentar melhorar a sua eficiência. Segundo o economista, culpar o Fed é “normalmente uma desculpa para desviar a atenção das contradições monetárias e fiscais no Brasil”. “Se o Fed faz algo que vai reduzir a escala da recessão ou fortalecer a economia, isso é muito importante para qualquer outro país. Fim da história”, disse em entrevista à agência Bloomberg.

De acordo com o Banco Mundial, gargalos burocráticos, sistemas fiscal e jurídico ineficientes têm deixado o Brasil menos competitivo que Uganda e Bangladesh.

Guerra cambial
Em setembro, a autoridade monetária dos EUA divulgou que colocará US$ 40 bilhões de títulos em hipotecas no país por mês para estimular a economia. O Fed já injetou mais de US$ 2 trilhões no país nos últimos quatro anos.

Na mesma semana do anúncio dos EUA, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertou que o novo estímulo anunciado pela economia dos Estados Unidos provocará consequências dramáticas ao resto do mundo, já que a nova enxurrada de dólares não será direcionada ao setor produtivo do país. Após a decisão do Japão nesta semana de expandir seu programa de impulso econômico – uma semana após a decisão do Federal Reserve – Mantega avalia que isso é uma clara evidência do avanço das tensões globais.