JBS sobe, Marfrig despenca e Cemig cai 5%; veja mais destaques

Marfrig terminou o dia com o posto de maior queda, após rumores sobre venda da Blackstone "esfriarem", enquanto JBS subiu com possível compra do frigorífico Independência

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SÃO PAULO – O Ibovespa ganhou forças no final desta quinta-feira (20) e fechou com alta de 0,06%, aos 61.687 pontos após virar para o campo positivo por volta das 16h00 (horário de Brasília). Em um dia sem grandes variações, a ponta positiva ficou com as ações da LLX Logística (LLXL3), com ganhos de 3,59%, aos R$ 3,17, enquanto a Marfrig (MRFG3) teve a maior queda ao registrar recuo de 6,77%, terminando aos R$ 10,61. 

Os papéis da processadora de alimentos devolveram parte dos ganhos dos últimos 30 dias, desde que o mercado começou a especular que a companhia poderia vender a Seara – ou parte dela -, sua unidade de alimentos processados, para o grupo norte-americano Blackstone.

A fuga de investidores é evidente quando observado o volume de negociação, que em pouco mais de duas horas de pregão atinge R$ 87,54 milhões, bastante acima da média das últimas 21 sessões, de R$ 31 milhões. Na mínima do dia, o papel chegou a cair 9,75%, aos R$ 10,27. 

Praticamente um mês depois do início desses rumores, nenhum movimento foi feito – o que pode ter atingido a paciência do investidor, ressalta Henri Evrard, analista da Infinity Asset. “Eu acho que essa queda está ligada a isso, afinal, a empresa saiu dos R$ 9,00 pros R$ 11,00 em um curto período de tempo depois da notícia”, avalia o analista. 

Com os investidores esperando ansiosamente por uma negociação de ativos, a lerdeza em alguma movimentação traz incertezas quanto ao futuro da empresa – que não é tão atrativa assim para os investidores, diz Evrard. “A empresa tem diversos problemas, como uma alavancagem muito grande”, afirma. Como a compra era apenas uma especulação, a paciência dos investidores parece ter chegado ao fim – fortalecendo o movimento baixista das ações da empresa.

JBS sobe com possibilidade de comprar Independência
Já a maior rival da Marfrig, a JBS (JBSS3) viu suas ações avançarem 3,13% na sessão desta quinta, a segunda maior valorização do Ibovespa, fechando aos R$ 6,97. A Reuters noticiou que a empresa deve estar próxima de comprar o frigorífico Independência – o que permite a ampliação de operações com bovinos. 

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O processo estaria já no processo de assinatura de contratos. O Independência estava em recuperação judicial e pode ser comprado por ceuca de R$ 268 milhões. A incorporação dos ativos poderá agregar R$ 1,75 bilhão ao faturamento operacional do JBS, segundo a fonte. Em 2011, a JBS faturou quase R$ 62 bilhões.

Desindexação dos contratos derrubam elétricas
As ações da Cemig (CMIG4) registraram forte queda de 5,05%, terminando aos R$ 26,30. A estatal mineira pressionadas pela notícia de que o governo aproveitará a prorrogação das concessões para avançar na desindexação das tarifas de energia elétrica. Outras elétricas, como Copel (CPLE6), Light (LIGT3) e Cesp (CESP6) também tiveram forte quedas, mas se recuperaram próximos do fechamento. 

De acordo com publicação do jornal Valor Econômico, até o fim do ano será definida uma forma de reduzir o peso do IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) e do IGP-M (Índice Geral de Preço- Mercado) nos contratos do setor. Segundo a publicação, a principal mudança será nos contratos das empresas geradoras com as distribuidoras, que desde 2004 são regidos pelo IPCA. 

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Papel e celulose continua processo de realocação
As ações das empresas do setor de papel e celulose apareceram entre as principais altas do Ibovespa. Os papéis da Suzano (SUZB5) subiram 2,18%, chegando aos R$ 5,63, enquanto os ativos de Fibria (FIBR3) tiveram alta de 2,93%, atingindo os R$ 18,94.De acordo com Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora, isso pode ser justificado pela defasagem desses papéis frente ao restante da bolsa, fruto das expressivas quedas de 2011.

Isso faz sentido especialmente em um período de realocação entre ativos, que a bolsa brasileira parece passar atualmente. Por terem tido desempenho bastante abaixo da média do mercado no último ano, seus múltiplos as fazem papéis mais “baratos”. Por isso, tendem a buscar novas altas, enquanto papéis “caros”, como Sabesp (SBSP3) e Telefônica (VIVT4), não apresentam bom desempenho.

Isso é facilmente observável no movimento do Ibovespa: embora o índice esteja andando de lado nas últimas sessões, várias ações tem mostrado variações expressivas para os dois sentidos, conforme o dinheiro migre de um papel para outro. Sem retirada ou entrada de novos capitais na bolsa, a tendência é que o índice se lateralize. 

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“Suzano e Fibria estavam muito defasadas desde o ano passado, mas este não é tanto o caso da Klabin (KLBN4)”, diz Galdi. Por conta disso, ele acredita, Suzano e Fibria estão registrando um excelente mês, com alta de mais 25% e 19%, respectivamente – enquanto a outra grande do setor sobe “apenas” 9%. “Mesmo com o clima pesado, o setor de papel e celulose parece estar fugindo do padrão por conta dessa defasagem”, finaliza o analista.