Proteínas

JBS (JBSS3) vê aumento de exportação de carne à China, enquanto consumo cai no Brasil

JBS destacou que o consumo da carne bovina chegou ao menor volume em 25 anos no Brasil e que vendas do produto seguem em queda

Por  Augusto Diniz -

Enquanto registra crescimento das exportações de carnes bovinas para China, a JBS (JBSS3) reporta que no Brasil o consumo da proteína chegou aos níveis mais baixos da história recente. Por aqui, o cenário macroeconômico continua desafiador, pressionando a demanda, disse o CFO da empresa, Guilherme Cavalcanti.

“A rentabilidade dessa unidade (de carne bovina) continua sendo impactada pela alta do preço médio do gado, de cerca de 11%”, disse Cavalcanti, durante teleconferência com analistas para comentar os resultados da JBS, que viu seu lucro mais do que dobrar. A empresa anunciou ainda dividendos de R$ 2,2 bilhões.

Além do resultado e dos dividendos, a JBS anunciou um programa de recompras e cancelamento de ações em tesouraria. Por volta das 12h00, as ações da empresa operam com leve queda, de 0,05%, cotadas a R$ 35,73.

Menos carne para o Brasil e mais para China

Dados da Conab mostram que o consumo da carne bovina chegou a 26,5 quilos por habitante no ano passado, menor volume em 25 anos – e a venda segue baixa do produto em 2022.

Por outro lado, a JBS informou que o mercado externo foi o destaque do trimestre, principalmente com o crescimento de 17,3% no volume e de 20% no preço médio de venda de carne bovina in natura, impulsionado principalmente pela retomada das exportações brasileiras para a China no final de 2021.

“Nós vemos que a China vai ser importador de carne bovina a longo prazo”, avalia Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, acrescentando que essa tendência deve mudar o mercado de forma global.

Ele explicou que o consumo de carne é muito baixo ainda naquele país e como o ciclo de criação e produção de gado é demorado em relação a outras proteínas, a mudança se dará de forma mais lenta, mas ocorrerá.

Gilberto Tomazoni disse ainda que a plataforma diversificada por região e tipo de proteína da JBS facilita o enfrentamento de “ambientes e ciclos mais desafiadores em um determinado negócio ou um ou outro país”.

Segundo o executivo, essa diversificação é evidenciada nos resultado do primeiro trimestre.

JBS nos Estados Unidos

Sobre o mercado norte-americano, André Nogueira, CEO USA da JBS, afirmou que, do ponto de vista logístico, há problemas, fazendo com que a empresa trabalhe “com nível de estoque muito acima do que gostaria”.

Os portos americanos foram impactados nos últimos meses por greves e a pandemia, o que tem gerado lentidão logística.

Ele crê numa melhora gradual nos Estados Unidos com relação ao item. Sobre Xangai, na China, Nogueira disse que teve queda nas exportações por conta do lockdown, “mas começou a recuperar”.

“A gente está trabalhando com nível (alto) de estoque e isso afetou nossa geração de caixa, pela questão de preço, que aumentou bastante, mas também por conta da logística mais devagar. Mas com a evolução, teremos geração de caixa”, comentou.

Análises do balanço da JBS

O Bradesco BBI destacou, em relatório, que o Ebitda da JBS no primeiro trimestre ficou 5% acima do consenso do mercado e com o faturamento consolidado e as margens ligeiramente acima do consenso.

Segundo o documento, o BBI continua a ver as margens spot geralmente caindo para a carne bovina nos EUA – que tem sido o principal impulsionador dos resultados da JBS –, já que a menor oferta de gado eleva os custos para os frigoríficos. O BBI reiterou recomendação neutra para as ações e preço-alvo de R$ 36.

Resultados robustos

Sustentada por mais um forte desempenho da sua operação norte-americana e das exportações de carne do Brasil, a JBS divulgou mais um robusto resultado no 1T22, levemente acima das expectativas, avaliou a Eleven.

O destaque negativo, conforme esperado, ficou por conta da Seara, que segue sofrendo com cenário de pressão de custos. Eleven mantém recomendação neutra para JBS, com preço-alvo de R$ 36.

Para o Credit Suisse, a JBS teve um trimestre “muito bom”, com o Ebitda consolidado superando os números de consenso, impulsionados principalmente pelas operações nos Estados Unidos.

Analistas continuam construtivos no caso de investimento da JBS, pois acreditam que seu impulso operacional permanecerá sólido nos próximos trimestres. O Credit Suisse mantém classificação outperform para o papel, e preço-alvo de R$ 45.

Na avaliação da XP, a receita líquida veio em linha, enquanto Ebitda ajustado ficou 8% acima das projeções da corretora.

“US Beef + Australia, PPC e US Pork permaneceram fortes e bem acima dos níveis históricos, enquanto Friboi se recuperou, mais do que compensando a queda da Seara devido ao aumento de custos e a um consumidor mais frágil no Brasil”, destacaram.

O time de research da XP acredita que a JBS continuará mostrando força em sua diversificação de proteínas e geografia, o que deve ajudar a compensar a característica cíclica nos resultados da empresa.

Dessa forma, reiterou recomendação de compra em JBSS3 com preço-alvo de R$ 51,8, reforçando sua posição como top pick no setor de proteínas.

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