Projeções para baixo

JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) têm preço-alvo cortado por Bradesco BBI, com cautela sobre compressão de margens nos EUA

Analistas do banco reduziram projeção de margem Ebitda para carne bovina dos EUA em 2023, impactando os números dos frigoríficos

Por  Felipe Moreira

Em relatório, assinado pelos analistas Leandro Fontanesi e Victor Romano, o Bradesco BBI ressaltou sua preocupação com a compressão da margem de carne bovina nos Estados Unidos, que tem sido um dos principais impulsionadores das ações da JBS (JBSS3) e da Marfrig (MRFG3).

Com a diminuição das margens nos EUA (abaixo da média de 5 anos), papéis de JBS caíram 18,65% e Marfrig teve baixa de 40,80% no acumulado do ano, desempenho inferior ao Ibovespa, que teve desvalorização de 7,89% em igual período.

Segundo relatório, isso acontece em função dos custos do gado subindo conforme o ciclo natural e o impacto da seca reduzem a disponibilidade de animais para abate e menos interrupções relacionadas Covid-19 contribuem para a normalização dos preços da carne bovina em relação aos anos anteriores, onde a indústria teve paralisações temporárias.

Dessa forma, o time de research do banco reduziu a projeção de margem Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização, Ebitda, sobre receita líquida) para carne bovina dos EUA em 2023 para 7% para JBS contra consenso de 8%, e para Marfrig para 8% vs. consenso de 9%, pois: 1) risco de recessão para o consumo da carne bovina, enquanto proteínas mais baratas como frango podem se sair melhor e 2) o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) prevê que os custos do gado possam aumentar mais 9,4% em 2023, à medida que a disponibilidade de animais cai ainda mais.

Como resultado dessas mudanças, BBI reduziu preço-alvo da JBS em 5%, de R$ 36 para R$ 34 (potencial de 13% em relação ao fechamento de sexta-feira), e da Marfrig em 20%, de R$ 22 para R$ 18 (ainda um upside de 46% frente o fechamento de sexta), mantendo recomendação neutra.

JBS (JBSS3)

Para analistas, a estratégia da JBS de realizar recompras de ações e pagar maiores dividendos nos últimos anos foi bem recebida pelos investidores. No entanto, reduziram estimativas para refletir sua postura mais conservadora para as margens de carne bovina dos EUA, apesar de melhores resultados para outros segmentos, como frango, resultando em Ebitda consolidado de 2023 sendo 15% abaixo do consenso.

BBI observa que o segmento de carne bovina dos EUA responde por 50-60% do Ebitda da JBS e é historicamente o principal impulsionador da ação. Além disso, dadas as condições desafiadoras do mercado, temos menos clareza sobre o momento da listagem de suas operações nos EUA, um gatilho positivo muito esperado para as ações.

As ações são negociadas em um múltiplo de EV/Ebitda (valor da empresa sobre o Ebitda) esperado para 2023 de 4,7 vezes (5 vezes para 2024), o que está amplamente alinhado com a média histórica, o que analistas acham justo devido ao risco/recompensa (preço-alvo anterior era de R$ 36,00).

Marfrig (MRFG3)

A Marfrig apresentou bons resultados nos últimos anos, beneficiando-se de um ciclo positivo para a carne bovina americana, que permitiu à empresa pagar dividendos e, mais recentemente, alocar capital na empresa de alimentos processados ​​BRF (BRFS3). No entanto, o Ebitda de 2023 para a Marfrig está 16% abaixo do consenso, pois o BBI está mais cauteloso com as margens de carne bovina dos EUA, segmento que responde por 80-90% de seu Ebitda total.

A Marfrig começará a consolidar a BRF (agora detém 33%) a partir do 2T22, e analistas projetam que o múltiplo de dívida líquida/Ebitda consolidado cairá para 2,5 vezes em 2023, de 2,8 vezes em 2022, pois projetam um crescimento robusto do Ebitda da BRF apesar das margens comprimidas para segmento de carne bovina da Marfrig nos EUA.

Assim, o BBI acredita que a alavancagem consolidada provavelmente ficará abaixo do covenant de 4,5 vezes a dívida líquida sobre Ebitda. A ação está sendo negociada a um EV/Ebitda 2023 de 4,5 vezes (ex-BRF).

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