JBS (JBSS3) dispara após balanço e lidera Ibovespa: o que animou tanto o mercado?

Do lado negativo, JBS Beef North America segue com margens bastante pressionadas, devido ao desafiador cenário de forte restrição na oferta de gado

Felipe Moreira

(Shutterstock)

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A sessão é de aversão a risco e queda para o Ibovespa, pressionado pelo tombo da Petrobras (PETR3;PETR4), após anúncio de troca de CEO desencadear receios sobre interferência política na estatal. Contudo, na ponta oposta, o frigorífico JBS (JBSS3) aparece como a maior alta do Ibovespa na sessão desta quarta-feira (15), com ganhos de 7,87%, a R$ 27,13, às 11h50 (horário de Brasília), com a repercussão dos resultados do primeiro trimestre de 2024 (1T24) da companhia.

A equipe de research do Itaú BBA comenta que a JBS apresentou um trimestre forte no 1T24, com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ligeiramente superior as estimativas.

Segundo o BBA, os ganhos em IFRS impulsionaram ainda mais os resultados da JBS, levando a um Ebitda ajustado consolidado quase 25% acima da projeção do banco. “Mesmo após o ajuste por esse efeito contábil, os resultados da JBS ainda ficariam ligeiramente acima da faixa superior do consenso”, destacam analistas.

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No geral, as perspectivas de longo prazo da JBS continuam atraentes e sua estrutura de capital é robusta. No entanto, de acordo com BBA, atingir o equilíbrio certo entre as perspectivas mais fracas na divisão de carne bovina dos EUA em comparação com outras empresas que estão ganhando força provavelmente impulsionará o desempenho das ações nos próximos meses. O BBA mantém recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 31.

A Genial Investimentos também avalia que a JBS reportou um trimestre forte, com resultado pouco acima das suas projeções em termos de Receita líquida (1,2% acima das estimativas da Genial), e uma margem Ebitda consideravelmente acima das expectativas (+1,5p.p.), as quais já estavam 0,4p.p. acima do que o mercado projetava. Analistas atribuem a melhora de margem nos segmentos da Seara e US Pork como os dois maiores percursores para um resultado acima do consenso.

Além disso, a Genial vê dinâmicas mais favoráveis do que nos trimestres passados na maioria dos segmentos da companhia, os quais reportaram boas margens e contribuíram para uma recuperação sequencial da rentabilidade no resultado consolidado, com destaque para a Seara.

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No entanto, conforme esperado, do lado negativo, a JBS Beef North America segue com margens bastante pressionadas, devido ao desafiador cenário de forte restrição na oferta de gado, que tem potencial de perdurar até o final de 2025.

Em termos de avaliação, a Genial vê a companhia negociando a um múltiplo de 5,2 vezes Valor da Firma (EV)/Ebitda em 2024, abaixo de sua média histórica de 5,5 vezes, e significativamente abaixo de players americanos comparáveis, como a Tyson Foods, a qual negocia a um EV/EBITDA de 9,0 vezes. Desse forma, reitera recomendação de Compra com preço-alvo de R$ 30,00.

Na mesma linha que BBA e Genial, a XP Investimentos disse que a JBS reportou um trimestre sólido, com a maioria das unidades de negócios (BUs) melhorando, sendo a US Beef a única exceção.

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A corretora destaca que a margem Ebitda de 7,2% foi melhor do que o esperado, com a surpresa positiva vindo de US Pork na tradução para o modelo IFRS – usando o lucro IFRS para todas as BUs e ajustando a US Pork pela taxa de câmbio da empresa, estimamos um Ebitda ajustado de R$ 5,6 bilhões (versus a projeção da XP de R$ 5,5 bilhões).

Na visão da XP, as finanças de US Pork serão o principal assunto na conferência de resultados nesta quarta-feira e, potencialmente, a principal variável para revisões de lucros. Seara e PPC também ficaram no lado positivo, enquanto a Austrália veio forte e em linha, e US Beef ficou negativa, mas melhor do que o esperado, e a JBS Brasil foi uma surpresa negativa.

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Com suas muitas partes móveis em uma perspectiva positiva e sem mais problemas operacionais, a velocidade de recuperação ainda não é empolgante, mas segura, o que é a principal razão para recomendação de compra da XP.

O Goldman Sachs avalia os números relatados como positivos, com todas as unidades de negócios apresentando melhor rentabilidade em relação ao ano passado (incluindo a carne bovina nos EUA). PPC, Seara e Austrália foram os destaques em um ciclo positivo, mas a carne bovina no Brasil (e nos EUA) também surpreendeu positivamente.

O resultado de carne suína nos EUA teve uma contribuição materialmente positiva no trimestre (parcialmente compensada pela carne bovina negativa nos EUA), mas, mesmo ajustando para esses fatores, o Goldman vê espaço para uma possível revisão em alta de até dois dígitos nas expectativas do consenso. O banco reitera classificação de compra para as ações da JBS, com preço-alvo de R$ 34,20.

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A Ativa Investimentos, por sua vez, comenta que o resultado de JBS veio bem acima do esperado, apesar de receitas em linha. Olhando para seus principais braços, as operações da JBS USA foram a principal detratora de ganhos no top line. Nos EUA, o ciclo bovino segue pressionando, resultando em custos elevados. Já na Seara, os volumes estáveis foram compensados pela redução de custos, que mostrou avanço na margem ebitda do segmento. “O ponto positivo olhando para faturamento vem das operações da JBS Brasil, que se aproveitam de um ciclo bovino favorável”, comenta a corretora.

O JPMorgan também considera bons os resultados no primeiro trimestre de 2024, com um Ebitda de R$ 6,429 bilhões, superando suas estimativas em 20,9% e o consenso em 10,0%. No entanto, o banco explica esse superávit foi principalmente explicado por uma tradução contábil de US GAAP para IFRS.

Por outro lado, mesmo desconsiderando isso, os resultados foram melhores do que o esperado, explicados pelos desempenhos positivos no setor de carne bovina nos EUA (margem positiva de 0,2%) e na Seara (margem de 11,6%).

Já o fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 3,1 bilhões no trimestre, “principalmente devido a investimentos sazonais em estoque antes do verão na América do Norte”, explica JPMorgan. Apesar dos bons resultados, o JPMorgan acredita que os números do 1T24 não devem levar a mudanças significativas em sua previsão, pois não trazem grandes surpresas ao analisar cada negócio individualmente. No entanto, o banco projetou, em relatório publicado antes da abertura do mercado, uma reação positiva no mercado de ações devido ao bom desempenho da divisão de carne bovina nos EUA, já que essa é a divisão com menor visibilidade futura e a que mais preocupa os investidores para o ano. Por fim, analistas mantêm recomendação neutra e preço-alvo de R$ 27.