JBS: Desempenho fraco da PPC deve impactar resultados do primeiro trimestre

Resultados abaixo do esperado podem sinalizar mais baixa para as ações

Erick Souza

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Funcionários da JBS na cidade de Lapa, no Paraná
21/03/2017
REUTERS/Ueslei Marcelino
Funcionários da JBS na cidade de Lapa, no Paraná 21/03/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

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A Pilgrim’s Pride, subsidiária de frango da JBS (BDR: JBSS32) nos EUA, reportou resultados trimestrais fracos. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de US$ 308 milhões, 15% abaixo do consenso. Para os mercados, o resultado fraco pode sinalizar mais um momento de baixa para as ações da companhia.

No último mês, JBS e PPC caíram cerca de 10% e 17%, respectivamente. De acordo com o Itaú BBA, a queda foi causada pela revisão para baixo das expectativas do mercado naquele período. Com esse último reporte de resultados, o Itaú BBA espera mais um movimento de fraqueza para os papéis.

Em comparação com as projeções do banco, o desempenho da PPC representa um recuo de 13%. Segundo os analistas, esse resultado ainda implica em uma revisão para baixo de 4% nas estimativas de Ebitda da JBS para o 1T26. Anteriormente, o valor esperado era de US$ 1,2 bilhão sob IFRS (International Financial Reporting Standards, equivalente a cerca de R$ 6,1 bilhões.

Segundo os analistas do Bradesco BBI, os resultados sofreram com as paradas programadas de pantas, tempestades de inverno e preços mais baixos, tanto para frangos pequenos, quanto para cortes de commodity. Mesmo considerando essa queda, em sua maior parte temporária, o banco destaca que a queda sequencial parece acentuada demais.

Recuperação dos níveis

Para o BBI, a principal questão que a companhia precisará responder é a velocidade de recuperação dos resultados. Além disso, o foco da teleconferência de resultados deve procurar explicar em que nível eles irão se estabilizar.

“Já víamos 2026 como um ano mais fraco após dois anos de margens elevadas, mas o ponto de partida mais fraco agora aumenta o risco de novas decepções”, destacam.

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Apesar do resultado, a receita líquida da PPC esteve em linha com o esperado, em US$ 4,5 bilhões, uma alta de 2% na comparação com o ano anterior. Para o México, a alta foi de 12% ao ano e, para a Europa, 10% no mesmo período. De acordo com os analistas, as outras regiões mais do que compensaram a queda de 4% ao ano nos EUA.

As margens brutas também ficaram em linha com os spreads no 1T26. Ainda assim, conforme os economistas, a melhora dos spreads na comparação trimestral sugere que a dinâmica de mercado não explica totalmente a compressão de margens.