Jaques Wagner prepara o ambiente para as reformas da Previdência e a trabalhista

O problema é que as duas mudanças mais importantes pretendidas pelo governo para melhorar o ambiente de negócios, ajudar no ajuste fiscal e dar algum alento à economia, encontram fortes resistências entre os sindicalistas e os partidos aliados

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Nas três últimas semanas, o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, do lado político considerado o mais light dos auxiliares da presidente Dilma Rousseff e com bom trânsito entre os oposicionistas, andou, em entrevistas a jornais e emissoras de rádio e postagens em redes sociais, ensaiando “autocríticas” a algumas políticas do governo sob Dilma e com críticas à postura do PT, a quem acusou de ter se “lambuzado” (“Quem nunca comeu melado quando come se lambuza”, lembrou numa dessas falas).

Parte do PT reagiu muito mal, porém o Palácio do Planalto não desautorizou em momento algum as declarações de Wagner. Por uma simples razão: nos bastidores, apesar do otimismo externo de que o perigo do impeachment já esta afastado, o governo tem consciência de que só conseguirá vencer a batalha para valer se o clima na sociedade estiver mais positivo do que atualmente.

E para isso ele precisará apresentar logo uma agenda positiva, não só para atrair um pouco a confiança dos investidores como também para dar sinais alentadores para trabalhadores, aliados petistas, sindicalistas de que o pior já passou. É em torno dessa agenda que as equipes técnicas dos ministérios mais técnicos estão trabalhando enquanto Wagner vai tentando angariar apoios, inclusive, se possível, da oposição.

Um dos objetivos, por exemplo, é conseguir o aval do Conselhão, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), criado pelo presidente Lula ainda em seu primeiro mandato exatamente para dar sugestões de políticas públicas para o governo. O Conselhão é formado por empresários, personalidades de sociedade civil, sindicalistas.Ficou praticamente desativado na gestão Dilma.

O que o governo quer por em prática é um pacote de reformas que possam ser aplicadas com alguma urgência, para ao, mesmo tempo, melhorar o ambiente de negócios para as empresas e evitar o aumento do desemprego, com a queda da renda média do trabalhador nos próximos meses.

Duas das propostas em estudo são a reforma da Previdência e a reforma trabalhista. A da Previdência privilegiaria o aumento da idade mínima para a aposentadoria e a correção de algumas distorções que o governo detecta ainda na concessão de determinados benefícios. Não se sabe se a questão do fator previdenciário, que tanta polêmica causou no ano passado, será retomada.

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Quanto à reforma trabalhista, informa “O Globo”, a intenção é facilitar as negociações diretas entre patrões e empregados, fazendo com que o acordado possa prevalecer sobre a legislação trabalhista, considerada antiga e engessada. Com isso e com o uso mais generalizado do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), criado no ano passado, o governo acredita que dará para passar a fase mais aguda da crise sem grandes listas de demissões nas empresas.

As propostas são bem vistas no meio empresarial, mas tanto as alterações trabalhistas como previdenciárias não agradam ao mundo sindical. O grande desafio dos operadores políticos de Dilma será dobrar essas resistências que se espalham pelos partidos aliados, especialmente pelo PT, temerosos de apoiar medidas “impopulares” em um ano eleitoral.

Em entrevista ao Valor Econômico, Wagner Freitas, presidente nacional da CUT, embora elogiando Nelson Barbosa, diz que a entidade rejeita as novas regras para a Previdência. Freitas diz que o ministro tem “a faca e o queijo na mão” para voltar a aquecer a economia, com a redução dos juros e estímulo ao crédito.

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Do pacote em estudo, que o governo não quer apresentar como um “pacote” estruturado, mas como medidas pontuais, faz parte ainda o estímulo à construção civil, com o PAC 3, e novas ações para estimular o crédito.

ATENÇÃO – A crise financeira está batendo firme nas portas do estados e municípios: atrasos de salários, parcelamento de 13º salário, caos em hospitais, atrasos com fornecedores. E todos começam a cobrar de Brasília soluções de emergência.

 

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Outros destaques dos

jornais do dia

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– “Cunha arquiva segundo pedido de impeachment contra Temer” (Globo)

– “Supremo dá dez dias para Cunha se defender do pedido de afastamento” (Globo)

– “PF pediu verba a Moro para Lava-Jato” (Globo)

– “Poupança tem perda de deposito de R$ 55 bi, a maior em 20 anos” (Globo)

– “Petrobras só quer seis sondas da Sete Brasil” (Estado)

– “Prefeitura do Rio assume direção de dois hospitais estaduais” (Globo/Estado)

– “Haddad cobra R$ 400 milhões da União e mais investimentos” (Estado)

LEITURAS SUGERIDAS

  1. Editorial – “Endividar-se não resolve crise de estados e municípios” (diz que governadores e prefeitos se animam com a possibilidade de contrair mais empréstimos mas se não fizerem reformas cedo ou tarde estarão na mesma situação) – Globo
  2. Editorial – “Jogo de cena” (diz que falação de Jaques Wagner parece diferente dos faniquitos da ala ideológica do PT, mas não é) – Estado
  3. Cleveland Prates – “Um desserviço à sociedade brasileira” (diz que a MP do acordo de leniência simplesmente destrói o incentivo a atuar dentro da lei) – Estadão
  4. Cristiano Romero – “Uma breve história do desastre brasileiro” (diz que está cada vez mais claro que a Nova Matriz provocou a crise atual) – Valor
  5. Editorial – “Do doce para o azedo” (diz que dizer que o PT se “lambuzou”, Jaques Wagner ocasiona birras no partido e mostra o quanto parte da sigla insiste na belicosidade) – Folha