Japão reforça compromisso com América Latina

Interesse chinês de participar do BID e aumentar influência na AL foi visto com reservas pelo Ministro das Finanças do Japão na 46a. reunião anual do BID

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SÃO PAULO – O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) encerrou nesta terça-feira, dia 12, sua 46a Reunião Anual. Com duração de três dias, a reunião aconteceu na região de Okinawa no Japão e contou com a participação de líderes de vários países da América Latina.

O Ministro das Finanças do Japão, Sadakazu Tanigaki, voltou a reforçar o interesse do País em ampliar o escopo do comércio internacional com a América Latina e o Caribe. Tanigaki lembrou que seu país tem servido como ligação entre a América Latina e o continente asiático, papel que pretende ampliar ainda mais.

Em sua declaração, o Ministro aproveitou para afirmar que o Japão tem laços econômicos mais estreitos com a região do que a China, que agora perece demonstrar interesse em fazer parte do BID.

A segunda maior economia do mundo já goza, como bem ressaltou o Ministro das Finanças, de uma relação mais duradora com a região, o que fica evidente pelos contratos de importação de longo prazo entre Japão e América Latina e plo intenso fluxo de capitais entre o Japão e a região.

BID defende transferência de tecnologia

Por sua vez, o presidente do BID Enrique Iglesias disse que a América Latina e Caribe querem um melhor acesso para a “Ásia intensa” e convocou o Japão e outras economias asiáticas para aumentar e melhorar a transferência de tecnologias para a região, que apresentou um crescimento de 5,7% em 2004, o mais alto em 24 anos.

Nesse sentido, Tanigaki declarou que o país goza de know-how no setor de serviços financeiros mais avançados do que a China. Ele também disse que o crescimento na América Latina é bem vindo, e que as economias da região devem impulsionar os investimentos e fazer reformas tributárias de forma a assegurar um crescimento sustentável e mais dinâmico.

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China quer fazer parte do BID

Apesar dos fortes laços entre Japão e a América Latina, nos últimos tempos os países latino-americanos vêm estreitando suas relações com potências econômicas emergentes como Índia e China, que não fazem parte do BID.

Tanto que as exportações da China para a América Latina cresceram 27% entre 1990 e 2003, frente a um crescimento médio de 8,7% das exportações de todo o continente asiático para a região. Já as importações da China com esses países cresceram 21,2% no mesmo período, enquanto que as importações da Ásia cresceram apenas 6,2%.

A pesar da China querer fazer parte do BID para aumentar sua influência econômica na América Latina, especialmente tendo em vista a quantidade de matérias-primas da região, a entrada do país não é bem vinda no curto prazo pelos Estados Unidos, pois a sétima economia mundial ainda toma dinheiro emprestado do Banco Mundial.

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Mais ainda, os países da América Latina e Caribe não estão convencidos de que a China será capaz de manter um investimento sustentável na região por um longo período de tempo como o Japão fez no passado. E o governo japonês acredita que a relação econômica entre o Japão e os países da América Latina e Caribe é bem mais estável e tem uma saúde financeira bem melhor do que a China.