Japão quer estudar causas de desvios de comportamento infantil no país

Agência de Ciência e Tecnologia planeja realizar uma pesquisa em grande escala, com cerca de 10 mil crianças, de 5 a 10 anos

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SÃO PAULO – O comportamento das crianças está preocupando os pais e educadores no Japão. Na base do problema está o crescimento do número de delitos infantis, ataques de fúria e colapsos dos pequenos em salas de aula, que dificultam a convivência com colegas.

É comum ouvir que a causa desses problemas está no tempo excessivo gasto na frente da televisão ou do computador, na “super proteção” desprendida pelos pais, ou até mesmo na falta de contato direto com a natureza.

Dessa forma, a pensando no sentido de desvendar para então prevenir o que causa esses distúrbios de comportamento nas crianças, a Agência de Ciência e Tecnologia planeja realizar uma pesquisa em grande escala, começando pelas províncias de Osaka, Mie e Tottori e expandindo, a partir do próximo ano, para todo o território nacional.

Pesquisa estudará hábitos de 10 mil crianças

Nesse sentido, uma comissão formada pelo Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia, a agência estudará diversos aspectos do cotidiano de cerca de 10 mil crianças, com idade entre 5 e 10 anos.

Médicos especializados em neurociência pediátrica acompanharão de perto os pequenos, avaliando seu desenvolvimento psicológico e cerebral, realizando, inclusive, exames com tecnologias como a ressonância magnética. Um dos focos da investigação é tentar descobrir se as mudanças bruscas de ambiente têm impacto sobre seu crescimento e comportamento.

Objetivo não é aumentar a rigidez na educação

No entanto, a pesquisa é motivo de polêmica entre os críticos, que consideram o acompanhamento invasão de privacidade. Segundo eles, o estudo pode levar a uma maior rigidez no padrão educacional do Japão.

Porém, o primeiro ministro japonês mostrou-se firme na intenção de levar o projeto adiante, garantindo que o objetivo da pesquisa não é incentivar os pais a aumentar a rigidez em casa, nem tão pouco iniciar sua educação escolar mais cedo. O objetivo do estudo seria ajudar as crianças a aprimorarem sua capacidade de adaptação a mudanças. De acordo com o primeiro ministro, uma comissão de ética foi estabelecida para avaliar os prováveis efeitos sociais do estudo.