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SÃO PAULO – Após forte pressão internacional, o governo chinês anunciou, nesta quinta-feira (21), os primeiros passos no sentido de flexibilizar a cotação da sua moeda, o yuan. Segundo as novas regras, a moeda chinesa agora irá flutuar diariamente em uma banda de até 0,3% em relação a uma cesta de moedas dos países com os quais mantém relações comerciais.
Ainda que o governo japonês, como toda a comunidade internacional, tenha recebido bem a decisão chinesa, boa parte dos analistas econômicos internacionais acredita que a decisão possa ter um impacto negativo sobre a economia mundial e, particularmente, sobre o Japão.
Impacto negativo para economia global
Dentre os fatores negativos mencionados estaria a elevação das taxas de juros internacionais, pois com a valorização do yuan a demanda chinesa por títulos do tesouro norte-americano poderia cair, caso não haja aumento dos juros.
Além disso, a redução dos custos de importação da China, pois o yuan deve se fortalecer no mercado de câmbio internacional, poderia levar o país a aumentar a importação de petróleo, o que contribuiria para a elevação da cotação da commodity.
Finalmente, os analistas acreditam que a valorização do yuan no mercado de câmbio internacional deve fazer com que as demais moedas asiáticas também subam, em especial, o iene.
Decisão foi bem recebida pelo Japão
Indiferente a essas afirmações, o porta voz do governo japonês anunciou que a economia do país não deve ser afetada de maneira significativa pela decisão. Apesar de acreditar que a comunidade internacional tenha superestimado o impacto da decisão chinesa sobre a economia japonesa, o secretário do Gabinete de Governo do Japão, Hiroyuki Hosoda, afirmou que permanecerão vigilantes aos movimentos do mercado de câmbio internacional diante da reforma.
Essa também é a opinião do Ministro das Finanças do Japão, Sadakazu Tanigaki, que acredita que a decisão chinesa deve contribuir para estabilizar a entrada de capital na China, o que, por sua vez, trará maior estabilidade econômica para a China, favorecendo o Japão.
Ainda incerto sobre o impacto que a decisão chinesa terá para o Japão, o Ministro da Economia do Japão, Shoichi Nakagawa, afirmou que o fato da China estar adotando regras internacionais de câmbio em si só é positivo. Essa também foi a reação dos empresários japoneses, que afirmam ser bem-vinda a decisão da China de se aproximar da comunidade internacional.
Analistas prevêem queda do superávit comercial
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Porém, essa não parece ser a percepção dos analistas, que acreditam que o Japão pode ser prejudicado tanto pela alta do petróleo, que deve aumentar os custos de produção internos, como pela valorização do iene, que pode reduzir a competitividade das vendas externas do Japão.
Juntos, esses dois fatores devem pressionar ainda mais o superávit comercial do Japão, que em junho já recuou 23% na comparação com o mesmo período em 2004. Ainda que Japão e China não compitam diretamente em termos de exportação, já que a China exporta alimentos e produtos de menor valor agregado, e o Japão exporta produtos de maior valor agregado, um iene mais forte pode sim reduzir o ritmo das vendas externas.
Aqui é importante lembrar que a China hoje se apresenta como maior parceiro comercial do Japão, seguida dos EUA. A julgar pelo relatório divulgado nessa semana pelo governo do Japão, que apontou forte queda de 16% no superávit comercial do Japão com os países asiáticos em junho, a valorização do yuan poderia ser vantajosa, já que favoreceria a exportação de produtos japoneses.
Se de um lado os analistas concordam que o Japão pode ganhar na exportação para a Ásia, por outro, pode ver suas vendas externas para os EUA e União Européia prejudicadas. Vale lembrar que em junho o superávit comercial do Japão com os EUA caiu 11%, enquanto o superávit em relação à União Européia caiu 12%.
No pregão desta quinta-feira (21) a moeda japonesa acumulou alta de 2,18% frente ao dólar norte-americano e fechou cotada a 110,31 ienes por dólar. Nesta sexta (22), a moeda perdeu um pouco frente ao dólar, e segue cotada em 110,90 ienes por dólar. Agora é esperar para ver em que patamar a moeda se acomoda.