Japão e China: conflitos políticos ou laços econômicos?

Os dois países mostram que a abandonar as disputas políticas e estreitar os laços econômicos é o melhor caminho a ser trilhado

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SÃO PAULO – China e Japão vêem cada vez mais a necessidade de estreitar o relacionamento entre si. Atuais parceiros econômicos, os dois países mostram que abandonar as barreiras políticas e estreitar os laços econômicos é o melhor caminho a ser trilhado.

O Japão tem um grande desafio pela frente: fazer a economia crescer. Ao mesmo tempo terá que encontrar uma solução para o envelhecimento de sua população, em 2018 estima-se que 40% dos japoneses sejam aposentados, assim como para a queda da população em si, essa prevista para começar em 2006.

Frente a essa realidade demográfica, o país deve enfrentar dificuldades para crescer, pois terá que direcionar recursos que poderiam ser destinados ao investimento para arcar com os gastos crescentes da Previdência, isso tudo em um cenário em que o número de contribuintes deve cair.

Ao mesmo tempo, a China vem crescendo a taxas elevadas, o que tem lhe permitido ganhar participação no comércio internacional, assim como tem atraído um volume crescente de investimentos do exterior.

Relação econômica deve prevalecer

Apesar dos conflitos históricos, os dois lados têm pouco a ganhar com o acirramento das relações políticas. Do lado do Japão, a China representa um mercado consumidor enorme, que pode, quando necessário, compensar a queda nas vendas para os EUA.

Se a China representa um enorme mercado consumidor, por outro pode representar uma ameaça ao Japão em alguns setores no comércio internacional, pois goza de uma base de custos muito menor. O acirramento dos conflitos políticos poderia levar a China a competir de maneira mais agressiva com o Japão por uma fatia maior do comércio internacional.

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Contudo, não é apenas o Japão que se beneficia da melhora no relacionamento dos dois países, de sua parte a China ainda precisa de reconhecimento internacional para as suas práticas comerciais. Mais ainda, a economia chinesa ganha com a transferência de know-how do Japão, que vem ocorrendo à medida que várias empresas japonesas optam pela abertura de fábricas no país mais populoso do mundo.

Aproximação

Os benefícios que poderão acontecer com a aproximação dos dois países merecem atenção. O Diretor Executivo Sênior da Associação Japonesa de Promoção de Mercado Internacional, Yoshio Nakata, já afirmou, em um fórum entre os dois países, que ambos devem estreitar suas relações e obter cooperação recíproca.

Nakata pediu ao governo de seu país que tome ações concretas baseado na sinceridade em resolver, um por um, todos os problemas entre as nações. Vale lembrar que o volume de negócios realizados entre China e Japão alcançou US$ 169 bilhões em 2004, no que representa 20% do volume de comércio do Japão.

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Aproveitando-se das condições financeiras que há na China, o Japão investiu US$ 66,6 bilhões em seu vizinho, com 10 milhões de pessoas trabalhando direta ou indiretamente nestas joint ventures.