Japão demonstra interesse em importar etanol brasileiro

Líderes nas discussões acerca do aquecimento global, japoneses estudam possibilidade de mistura com gasolina para reduzir emissão de poluentes

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SÃO PAULO – Preocupado com a melhoria da qualidade do ar, e redução da poluição nas cidades japonesas, o governo daquele país estaria estudando a possibilidade de importar etanol brasileiro.

A informação é do presidente da Única (União da Industria Canavieira de São Paulo), Eduardo Pereira Carvalho, que liderou a comissão brasileira composta de empresários e técnicos, que visitou o Japão na semana passada para tratar do tema com representantes do governo e do setor privado japonês.

Discussões ainda são preliminares

Ainda que preliminar, o início das discussões acerca da possibilidade do Japão importar etanol brasileiro para misturar com a gasolina local é bastante positivo para as relações comerciais entre os dois países.

Contudo, considerando a cautela do governo japonês, não se pode descartar a possibilidade de que, assim como no caso da exportação de mangas, as negociações acerca da exportação de etanol brasileiro ao Japão demorem anos para serem concluídas.

Brasil é líder na produção de etanol

Mesmo assim os representantes brasileiros estão otimistas, pois lembram, que no caso do etanol, o Brasil é o único país que teria condições de exportar um grande volume do combustível ao Japão. Exatamente por isso, o presidente da Única acredita que o Brasil tenha um papel importante no combate ao aquecimento global, tema no qual o Japão tem liderado os debates internacionais.

As reuniões da semana passada tiveram como objetivo discutir aspectos técnicos relacionados com o a possibilidade de se misturar a gasolina japonesa com 3% de etanol brasileiro, de forma a reduzir a emissão de poluentes dos veículos que circulam em território japonês.

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Segundo o presidente da Única, o potencial de exportação de etanol para o Japão pode ser estimado em 1,8 milhão de kilolitros por ano de etanol, o que equivale a receitas de US$ 300 milhões por ano. A decisão de ir ao Japão discutir o tema teria sido impulsionada pela visita do primeiro primeiro-ministro, Junichiro Koizumi ao Brasil, em setembro do ano passado.

Custos e riscos ao meio ambiente

Carvalho informou que na época da visita de Koizumi ficou evidente que o governo japonês ainda estava receoso com relação ao tema. Dentre as principais dúvidas estariam o custo de se misturar etanol a gasolina no Japão e os riscos de efeitos colaterais do etanol ao meio ambiente.

Ainda segundo o executivo da Única, um estudo japonês teria apontado que seria preciso algo como 300 bilhões de ienes para promover a mistura de etanol com gasolina, o que na opinião dos técnicos brasileiros seria um exagero. Para os técnicos brasileiros, o mais provável pe que o custo seja de um décimo desta quantia. Durante a visita ao Japão, a comitiva brasileira se reuniu com membros do Departamento de Combustível do Ministério da Economia, Indústria e Comércio, que formaram um comitê para estudar a viabilidade da importação do etanol brasileiro.