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SÃO PAULO – No primeiro mês de 2008, as importações de bens de capital confirmaram sua tendência de avanço contínuo, atingindo US$ 26,120 bilhões. A cifra representa um aumento de 35% frente aos US$ 19,351 bilhões apurados em janeiro do ano passado.
Conforme destacado pelo Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco, “o saldo líquido externo desse segmento está se mostrando negativo, o que significa que mais máquinas e equipamentos estão entrando no país do que saindo”.
Em complemento, vale notar que a evolução das compras externas de bens de capital vem acompanhando o ritmo das importações brasileiras agregadas. Nos últimos 12 meses, a participação dessa categoria dentro do todo é ligeiramente crescente e próxima de 21%.
Os números sinalizam que boa parte dos gastos com importações está sendo direcionada à expansão da capacidade produtiva doméstica. Indústrias aproveitam a valorização do real para bancar investimentos estruturais outrora desvantajosos.
Contra os riscos de gargalo
Aplicados à operação industrial, os bens de capital importados são vitais para amenizar riscos de gargalo produtivo. Eles complementam esforços próprios com o intuito de satisfazer uma demanda interna crescente, que pode incentivar pressões inflacionárias.
Estatísticas da FGV (Fundação Getúlio Vargas) apontam o alto nível de utilização média da capacidade instalada dentro do setor de bens de capital. Em setembro de 2007, o indicador atingiu o pico de 87,3% desde 1995.
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Nos meses subseqüentes, houve redução marginal, sem impressão de conforto. Em janeiro de 2008, mês sazonalmente fraco, a utilização média da capacidade ficou em 85,5% para os bens de capital, um ponto percentual acima do aferido no mesmo período de 2007.
Opinião
A equipe do Bradesco lembra que o avanço da categoria em pauta não se limita às importações: “foi justamente a produção doméstica de bens de capital que apresentou a maior expansão da produção industrial em 2007”. Evolução de 19,5%, contra 6% do agregado.
Para 2008, os economistas do banco esperam seqüência às inversões robustas, mesmo que em ritmo menor que o observado no ano passado. “Ainda assim, os investimentos contribuirão para ampliar a produção
nacional e reduzir a pressão sobre o nível de utilização da capacidade instalada”.