James Bullard: o único de Wall Street que não parou durante o jogo dos EUA

Enquanto as atenções dos americanos se voltavam para a partida contra a Alemanha, presidente do Fed de St. Louis discursava mais uma vez contra os baixos níveis da taxa de juros do pas

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SÃO PAULO – Não é apenas no Brasil que a Copa do Mundo tem mudado a rotina do mercado. A última e decisiva partida dos Estados Unidos na Copa do Mundo gerou um forte movimento em prol de um feriado no país – ou, pelo menos, de um recesso durante o jogo. Contudo, uma pessoa ao menos que atua no plano econômico norte-americano estava dando o que falar para os investidores: James Bullard.

Próximo do fim do jogo, o presidente do Federal Reserve de St. Louis, voltou a mostrar uma postura mais radical sobre a retirada da política de estímulos e sobre o fim do afrouxamento monetário. Atualmente, a taxa de juros dos EUA encontra-se entre 0% e 0,25% ao ano e o QE3 (Quantitative Easing 3) está injetando US$ 35 bilhões mensais na economia por meio de compra de títulos.

“Com o passar do tempo, entretanto, torna-se mais e mais difícil argumentar que os mercados de crédito permanecem em uma situação de deterioração, e portanto mais difícil de justificar contínuas taxas reais baixas”, diz Bullard. Ele também afirma que o QE3 deverá chegar ao seu final em outubro deste ano.

Para ele, uma elevação na taxa de juros deve ocorrer ainda no primeiro trimestre do ano que vem. Bullard ainda disse que o mercado pensa que a autoridade monetária do país é mais “dovish” (termo usado no sentido de maior conservadorismo) do que realmente é.

EUA perde, mas se classifica
Enquanto Bullard falava, a seleção dos Estados Unidos estava perdendo por 1 0 para a Alemanha. Mesmo assim, o time comandado pelo ex-jogador alemão Jürgen Klinsmann conseguiu a classificação no Grupo G ao terminar na 2ª colocação com 4 pontos, mesma pontuação que Portugal mas levando a vantagem pelo saldo de gols – 0 para EUA, contra -3 para os portugueses.

Durante a partida, as principais bolsas dos EUA registraram uma queda de volume e viram seus três maiores índices acionários pouco se mexerem dentro do cenário de perdas do dia. O relativo “congelamento” já era esperado pelos especialistas consultados pela imprensa internacional.

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Nova paixão nacional?
Os veículos especializados em acompanhar o mercado financeiro, aliás, não ficaram para trás na cobertura do jogo, com alguns sites dando destaques minuto a minuto sobre a partida e noticiando com destaque a classificação da seleção norte-americana para as oitavas de final da Copa do Mundo.

Vale mencionar que ontem um grupo de fãs pediu à Casa Branca para decretar feriado nacional no dia do jogo – o que não foi atendido. Também na quarta-feira, o técnico Klinsmann postou em seu perfil no Twitter um “atestado” que autorizava americanos a se ausentar no trabalho, montando uma espécie de modelo para que os funcionários entregassem como forma de se ausentar do trabalho.

Bolsas em queda
Após um forte baque durante a manhã, os três principais índices acionários americanos amenizaram as perdas na metade da tarde, após o fim do jogo da seleção norte-americana contra os alemães pela Copa do Mundo.
Às 16h28 (horário de Brasília), os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 apresentavam quedas entre 0,13% e 0,18%.

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.