Destaques da Bolsa

Itaú, Usiminas, Vale, Petrobras e BRF disparam mais de 6%; Braskem cai isolada

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou na máxima do dia – alta de 4,08% – em meio à euforia generalizada do mercado um dia antes da votação do impeachment no Senado. Das 59 ações do índice, apenas os papéis da Braskem fecharam em queda hoje, penalizados há 4 dias pela decisão do governo de reduzir o benefício do PIS/COFINS para o setor petroquímico. 

Do lado das altas, a Usiminas, Qualicorp e MRV Engenharia encerraram o pregão como as maiores altas – acima de 8% -, seguidas por Petrobras e Bradespar – holding que detém participação na Vale. Os papéis dos bancos também mostraram altas expressivas, com Itaú subindo 6%. No geral, 14 ações do índice saltaram mais de 5% hoje.  

O mercado reagiu à leitura de que o impeachment da presidente Dilma Rousseff parece mais provável, também após a decisão do presidente do Senado, Renan Calheiros, de manter o processo. Os investidores se animam também com notícias sobre corte de ministérios em um eventual governo de Michel Temer. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta tarde:

Vale (VALE3, R$ 15,87, +4,20%;VALE5, R$ 13,13, +6,32%)
As ações da Vale recuperaram parte do terreno perdido nos últimos pregões (do dia 29/4 a 9/5 a VALE5 caiu 21%) em meio à euforia generalizada do mercado. Os papéis da companhia reagiram também à alta do minério de ferro hoje. Acompanharam o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 7,57, +7,22%) – holding que detém participação na mineradora. Nesta sessão, a commodity negociada em Qingdao teve alta de 0,49%, a US$ 55,26 a tonelada métrica.

No radar da Vale, de acordo com informações da Folha de S. Paulo, o escolhido para comandar o Ministério do Planejamento do eventual governo Michel Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) quer levar a mineradora para sua área de influência e participar da escolha do próximo presidente da companhia.  Embora seja privada, a Vale sofre forte influência dos fundos de pensão estatais Previ, Funcef e Petros, que estão no bloco de controle da empresa. Procurado pelo jornal, o atual CEO da empresa, Murilo Ferreira, não quis comentar, assim como Jucá. 

Por fim, a companhia informou que as negociações com a Hydro chegaram ao fim sem um acordo para venda de sua participação de 40% na Mineração Rio do Norte (MRN), produtora de bauxita no Brasil, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira. A Vale afirmou que as duas empresas elaboraram uma carta de intenção em outubro de 2015 para uma possível transação, “mas não conseguiram concordar com os termos comerciais”.

As siderúrgicas também registraram ganhos expressivos, caso de Usiminas (USIM5, R$ 2,31, +8,98%), CSN (CSNA3, R$ 10,49, +4,69%) e Gerdau (GGBR4, R$ 7,23, +4,78%), que figuraram entre as maiores altas do Ibovespa. 

Petrobras (PETR3, R$ 12,85, +6,46%;PETR4, R$ 10,21, +7,70%)
Depois do dia negativo de ontem, as ações da Petrobras subiram forte hoje na esteira dos preços do petróleo no mercado internacional. O contrato Brent subia 4,54%, a US$ 45,61 o barril, com receio de oferta da Nigéria, 2º maior produtor africano, ser interrompida por questões de segurança.

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A última segunda-feira foi de apreensão com a notícia de que o presidente interino da Câmara dos Deputados Waldir Maranhão (PP-MA) anulou o processo de impeachment de Dilma Rousseff na Casa. Mais tarde, o presidente do Senado Renan Calheiros decidiu rejeitar a decisão de Maranhão e manter o cronograma do impeachment, cuja votação começará amanhã.

Bancos
Os bancos também subiram forte hoje, acompanhando o dia de euforia na Bolsa brasileira com a continuidade do cronograma do impeachment no Senado. Além disso, destaque para relatório do BTG sobre as condições de crédito das instituições financeiras, destacando que os números foram mais fracos do que o esperado no primeiro trimestre, mas há alguns sinais de leve recuperação no primeiro trimestre de 2016. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 32,51, +6,28%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,45, +5,93%) e Bradesco (BBDC4, R$ 26,63, +4,31%) subiram mais de 4%. 

Segundo dados da Bloomberg desta terça-feira, o Banco do Brasil é a ação mais barata com a expectativa de impeachment. O papel é negociado a 6 vezes a estimativa de lucro neste trimestre – o menor múltiplo entre as 59 ações que compõem o Ibovespa. Com 5 recomendações de compra, 11 de manutenção e 3 de venda, é a ação de estatal preferida dos analistas. 

BRF (BRFS3, R$ 49,30, +7,36%)
As ações da BRF subiram forte em meio às notícias de que a companhia pode estar no plano de expansão da Tyson Foods, maior empresa de carnes dos EUA, no Brasil. De acordo com o Valor Econômico, a Tyson Foods poderia estar por trás da decisão da BRF de aumentar o limite do poison pill – cláusula de proteção de dispersão acionária – de 20% para 33%.

“O que levantou esta questão foi o fato de executivos da Tyson terem vindo para o Brasil para visitar algumas plantas da BRF. Caso isso ocorra, seria perfeito geograficamente, tornando a empresa mais forte para competir com a JBS. Poderia também ser uma saída para os fundos de pensão (Previ e Petros) e a possibilidade da Tarpon adicionar expertise com executivos que conhecem muito do negócio, melhorando assim a execução (principal risco do case na nossa opinião)”, destaca o BTG Pactual. 

Qualicorp (QUAL3, R$ 15,55, +9,12%)
As ações da Qualicorp subiram forte pelo segundo pregão seguido, acumulando ganhos de 12%, a um dia da divulgação do balanço do 1° trimestre. Resultado será reportado após o pregão de quarta-feira.

Segundo o Credit Suisse, a empresa deve mostrar um sólido resultado amanhã, com crescimento de Ebitda de 10% na comparação anual e margem de 40,9%. Na última linha do balanço, a empresa deve se beneficiar de uma amortização de goodwill não recorrente no valor de R$ 143 milhões, levando o lucro liquido para R$ 203 milhões no trimestre.

Os analistas do banco destacaram que, apesar do cenário desafiador, a Qualicorp está negociando a 10 vezes o P/L (Preço sobre Lucro) na Bolsa, com dividend yield de 9%, o que parece bastante atrativo.

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Braskem (BRKM5, R$ 21,20, -1,76%)
As ações da Braskem afundaram pelo quarto pregão seguido, acumulando desvalorização de 14% após o governo ter anunciado na sexta-feira que vai reduzir o benefício do PIS/COFINS para o setor petroquímico começando em 2017. Atualmente, o benefício é de 6,25% em 2016; 4,25% em 2017; e 3,65% a partir de 2018. A nova proposta será de 3,12% em 2017 e 2018; 2,13% em 2019 e 2020; e 1,13% a partir de 2021, levando a taxa efetiva para 8,12% na perpetuidade. Por conta da notícia, o BTG Pactual ajustou ontem o preço-alvo das ações da Braskem, passando de R$ 28,00 para R$ 24,00. A recomendação seguiu neutra. 

BB Seguridade (BBSE3, R$ 28,56, +3,29%)
As ações do BB Seguridade viraram para alta com o mercado, deixando para trás o mau humor que marcou o papel durante essa manhã, após a companhia reportar números fracos no primeiro trimestre. 

A queda na emissão de prêmios em importantes áreas de negócios e a alta no pagamento de indenizações a segurados pesaram sobre a companhia, cujo lucro do primeiro trimestre ficou praticamente estável na comparação com um ano antes. A BB Seguridade anunciou nesta segunda-feira que teve lucro líquido de 958 milhões de reais no período, alta de 0,9 por cento ante mesma etapa de 2015. A variação ficou bem abaixo do crescimento previsto pela companhia para o acumulado deste ano, de 8 a 12 por cento. Na base sequencial, o lucro teve queda de 5,5 por cento.

Segundo a BB Seguridade, o resultado foi afetado também pelo pagamento de alíquotas maiores de PIS/Pasep e Cofins sobre receitas financeiras e da Contribuição Social sobre o lucro líquido (CSLL). Esses efeitos foram parcialmente compensados por um aumento de 33,1 milhões de reais do resultado financeiro combinado. Ainda assim, a rentabilidade ajustada sobre o patrimônio líquido teve queda de 5 pontos percentuais sobre um ano antes, para 49,9 por cento. Índice combinado, que mede quanto dos prêmios ganhos são gastos com despesas operacionais e pagamento de indenizações a segurados, piorou, passando de 69,7 para 73,1 por cento. Segundo a companhia, contribuiu para a piora do índice o aumento da sinistralidade, concentrada no segmento de prestamista em razão da contabilização de avisos que não haviam sido processados em decorrência de inconsistências cadastrais.

Segundo o Bradesco BBI, os resultados foram fracos, com deterioração operacional na área de underwriting, embora cheia de itens extraordinários; “ainda é início de ano, e guidance está agora sob pressão”, destacam analistas. 

Via Varejo (VVAR11, R$ 6,59, +6,29%)
As units da Via Varejo viraram para forte alta nesta tarde, puxadas pelo otimismo generalizado do mercado, que ofuscou os dados fracos do 1° trimestre da varejista. A 
rede de comércio de eletrodomésticos e móveis do Grupo Pão de Açúcar, anunciou na segunda-feira que teve lucro líquido de R$ 3 milhões, uma queda de 98,7 por cento sobre um ano antes. O resultado operacional da companhia, medido pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação, na sigla em inglês), somou 112 milhões de reais entre janeiro e março, declínio de 78,3 por cento na comparação anual. A margem Ebitda caiu 7,2 pontos percentuais, para 2,4 por cento.

A receita líquida da Via Varejo no período caiu 12,7 por cento, para 4,7 bilhões de reais. Segundo a companhia, as vendas de janeiro refletiram a forte base de comparação. A Via Varejo também fechou lojas consideradas de baixo desempenho. A companhia disse ter implementado campanhas de vendas e, embora a margem de lucro tenha caído, a participação de mercado subiu.

O Itaú BBA ressalta que os resultados foram fracos; “em termos de fluxo de caixa, o desempenho operacional fraco foi ao encontro de uma piora do ciclo do capital de giro, levando a uma deterioração significativa do fluxo de caixa livre”. O Bradesco BBI ressalta que as vendas foram “impactadas severamente” pela piora das condições macroeconômicas. O BTG Pactual ressalta que, apesar de uma leve recuperação nas vendas no trimestre, os números confirmaram a fraca dinâmica operacional da Via Varejo, com a margem EBITDA caindo mais do que as expectativas já pessimistas. “Vemos um forte balanço patrimonial, mas, dado o conflito de interesses inerente com o braço de e-commerce do Casino no Brasil, consideramos que ainda é cedo para apostar na Via Varejo”.

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Direcional (DIRR3, R$ 6,14, +5,14%)
A Direcional subiu após registrar lucro líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 29,6 milhões no primeiro trimestre, 18,2% menor frente ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 1,5%, para R$ 405,8 milhões, enquanto a margem bruta foi de 20,5%. 

Segundo o BTG Pactual, o resultado veio em linha com o esperado: “quando olhamos no detalhe, a receita de “Faixa 1” caiu 24%, mas foi mais do que compensada por um aumento expressivo de 88% em receita de desenvolvimento e “Faixa 2′”, destaca o BTG. O banco mantém a Direcional como a top pick do setor, destacando o valuation atrativo. 

Linx (LINX3, R$ 51,15, +6,56%)
A Linx viu suas ações em alta após a companhia divulgar seus números do primeiro trimestre; a companhia registrou lucro líquido de R$ 15 milhões no primeiro trimestre, estável em relação ao mesmo período de 2015. A receita líquida subiu 12%, a R$ 118 milhões. Na medida pelo lucro caixa – usado por conta do impacto contábil de benefícios fiscais que não afetam o caixa – o resultado registrou queda de quase 5%, para R$ 22,9 milhões. 

O Itaú BBA espera reação neutra a mais um conjunto de resultados “resilientes, apesar do cenário macro insustentável”, enquanto o Bradesco BBI vê bons resultados, com crescimento sólido orgânico de receita. O Santander destaca, por sua vez, que os resultados representam recuperação em relação ao quarto trimestre de 2015.