Itaú reduz PIB, eleva dólar para R$ 2,30 e vê balança comercial zerada em 2013

Time de análise do banco trabalha com crescimento do PIB em 2,1%; para 2014, expectativa caiu de 2,2% para 1,7%

Publicidade

SÃO PAULO – A queda da confiança dos consumidores e empresários na economia brasileira fez com que os economistas do Itaú BBA alterassem suas projeções para a economia brasileira neste e no próximo ano. A expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto), que antes estava em 2,3%, foi reduzida para 2,1%. Para 2014, o corte foi de 2,2% para 1,7%. No entanto, vale mencionar que para o 2º semestre deste ano o time de análise do Itaú elevou de 0,8% para 1,0% a projeção de expansão do PIB.

A equipe do economista-chefe Ilan Goldfajn enxerga uma piora no cenário econômico pertinente para uma revisão de projeções. “A volatilidade dos ativos financeiros, protestos populares, inflação em patamar persistentemente elevado e incertezas sobre a condução da política fiscal contribuem para o enfraquecimento da confiança”, explica o analista em relatório divulgado nesta sexta-feira (9). Goldfajn fala ainda do mau momento da Bovespa, o que reflete uma expectativa de lucros mais fracos para as empresas – e consequentemente, investimentos menos atrativos.

Aliado a isso, há a expectativa de juros mais altos no longo prazo – precificado na curva de juros – o que deve reduzir ainda mais o ímpeto para investimentos. “O consumo, especialmente de bens duráveis, também deve desacelerar”, aposta o economista-chefe do Itaú BBA.

A equipe de Goldfajn diagnosticou que, apesar do cenário mais brando para os preços no curto prazo, os altos níveis de inflação devem dificultar alterações na política monetária e estimular um crescimento mais elevado. Para eles, há poucas esperanças na reversão dos baixos resultados primários. “O alto e persistente nível da inflação limita o espaço para que a política monetária possa ser alterada para evitar um crescimento mais baixo da economia”. Nos últimos meses, temos visto o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) se manter bem próximo do teto da meta do governo, de 6,5%, e as expectativas do mercado têm evoluído nesta direção. Nesse cenário, a margem de manobra anticíclica da política monetária fica comprometida”, complementa.

Goldfajn destaca ainda o problema fiscal brasileiro. “Com o enfraquecimento da economia, a arrecadação será menor. Portanto, a piora do resultado fiscal limita o uso da despesa pública para suavizar a desaceleração da economia. Uma ação nessa direção poderia afetar ainda mais a confiança e os prêmios de risco, tendo um efeito negativo na atividade econômica no curto e, principalmente, no longo prazo”, conclui o economista.

Novas projeções
A Selic teve sua projeção mantida no patamar de 9,75% para o final do ano, assim como o superávit primário, que deve bater a casa dos 1,7% na visão dos analistas. O câmbio, por sua vez teve uma alteração significativa: saltou de R$ 2,18 em 2013 e 2014 para R$ 2,30 e R$ 2,40 respectivamente. Por fim, o time de Goldfajn acredita que o saldo comercial em 2013 deve ficar zerado.

Continua depois da publicidade

“O mês teve US$ 1,9 bilhão de déficit, devido principalmente às importações de petróleo, que somaram US$ 3,1 bilhões. Os combustíveis continuam prejudicando a balança comercial brasileira, e o déficit desses produtos já soma US$ 16,7 bilhões nos primeiros sete meses do ano. Sem esses produtos, o déficit acumulado de US$ 5 bilhões na balança se transformaria em um superávit de US$ 11,7 bilhões”, conclui o economista-chefe.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.