Itaú (ITUB4): resultado será bom, mas mercado ficará de olho em dividendos, dizem analistas

Projeção é de aumento relevante do dividend payout no trimestre por uma combinação de capital em excesso e decisões regulatórias favoráveis, diz Genial

Lara Rizério

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O Itaú Unibanco (ITUB4) divulga seus números nesta segunda-feira (5) após o fechamento do mercado, devendo ser um dos destaques positivos no setor. O consenso LSEG projeta lucro de R$ 9,4 bilhões para o banco, um avanço anual de 25%.

O banco deve apresentar um crescimento de um dígito na sua carteira de crédito, impulsionado pelas linhas de crédito relacionadas com o consumo, avalia a XP. A margem financeira deverá continuar a ser impulsionada pelo aumento da carteira de crédito, aumentando 3,6% em termos homólogos e 4,2% em termos trimestrais.

Adicionalmente, a XP prevê que a inadimplência fique estável no trimestre, em 3,0%, juntamente com um sólido índice de cobertura  – que representa a proporção que a provisão para risco de crédito é capaz de cobrir os créditos inadimplentes – de 205%. Consequentemente, não espera qualquer aumento significativo no custo do crédito no trimestre. O resultado líquido deverá continuar a sua tendência positiva e ter um sólido crescimento de 22% em termos anuais e de 3,2% frente o 3T23. Para a XP, os resultados trimestrais não devem desencadear qualquer reação forte do mercado (nem positiva nem negativa).

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Na visão do Bradesco BBI, o Itaú reportará melhores tendências no crescimento dos empréstimos individuais e na qualidade dos ativos. Os analistas estimam que o banco reportará lucro líquido de R$ 9,1 bilhões, com tanto a margem com clientes quanto os ganhos de tesouraria apresentando bom crescimento.

Além disso, a inadimplência nos empréstimos individuais deverá ter outra melhoria sequencial, enquanto as PME e as grandes empresas poderão permanecer estáveis, levando a despesas de provisões estáveis no trimestre. “Esperamos que a receita de tarifas registre uma melhoria sequencial impulsionada pela sazonalidade, enquanto as despesas operacionais podem sofrer uma ligeira pressão de maiores volumes, despesas de marketing e ajustes salariais”, aponta o banco.

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A Genial espera que o principal catalisador de geração de lucro venha do custo de crédito que deve começar a se estabilizar com a inadimplência mostrando sinais positivos, enquanto as receitas seguem evoluindo.

Também espera um aumento relevante de dividendos no trimestre por conta uma combinação de capital em excesso e decisões regulatórias favoráveis (limite de juros no cartão de crédito, aumento de Basileia operacional e modificações no JCP (juros sobre o capital próprio).

A casa estima um payout de dividendos (dividendo em relação ao lucro) aumentando de 28% do lucro em 2022 para 42% em 2023 (65% no 4T23) e 61% para 2024, implicando em um dividend yield (dividendo sobre o preço da ação) de 7,6% para 2024.

Para 2024, a Genial projeta lucro crescendo acima de 10%, ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) crescente e payout de dividendo aumentando, ou seja, continuidade do desempenho do 4T23. O banco também estima que a carteira de crédito cresça em linha com o mercado e que a receita de juros acompanhe essa evolução. Além disso, projeta que as receitas com tarifas apresentem uma melhora com a retomada do mercado de capitais.

“Estimamos que o custo de crédito deve ficar estável nominalmente a/a com a melhora dos indicadores de inadimplência. Por fim, acreditamos que o Itaú deve melhorar a distribuição de lucro para 2024 devido ao capital estar em níveis satisfatórios e a determinação de que a nova regulação do Banco Central será implementada de forma faseada”, conclui.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.