Itaú (ITUB4): projeções “conservadoras” podem ser revistas ao longo do ano, diz CEO

O banco também divulgou suas projeções e orientações para 2026 na quarta-feira (4)

Camille Bocanegra

Ativos mencionados na matéria

Agência do Itaú Unibanco (Foto: Divulgação)
Agência do Itaú Unibanco (Foto: Divulgação)

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O banco Itaú (ITUB4) divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) e completos de 2025 nesta quarta-feira (4). Em coletiva de imprensa sobre o balanço, executivos da companhia demonstraram otimismo.

“Tivemos um ótimo 2024 e um excelente 2025, e acho que nunca estivemos tão preparados para um ano quanto entramos em 2026”, afirma Gabriel Moura, CFO do banco.

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Sobre as orientações divulgadas para o ano de 2026, o CEO afirma que podem ser revistas ou reafirmadas, mas, assim como 2025, são as informações disponíveis hoje.

“Entramos o ano de 2025 com a melhor informação disponível, quando fizemos o guidance”, afirma o CEO, Milton Maluhy. O executivo considera que o Itaú tem conseguido comunicar com muita transparência e eficácia e destaca que o guidance de 2025 foi superado. “É a melhor informação que temos hoje, na medida que temos mais segurança dos cenários, os guidances podem ser alterados”, afirma.

“Se entendermos que tem oportunidade para acelerar crescimento de carteira em 2026, podemos rever o guidance. Podemos reafirmar ou alterar o guidance, o objetivo é dividir com o mercado a melhor informação disponível”, sustenta.

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“Podemos ver volatilidade no curto prazo, mas nossa visão é de longuíssimo prazo”, afirma o CEO do Itaú, Milton Maluhy. “No guidance desse ano, há crescimento próximo do que foi no ano passado [na rentabilidade], então imaginamos que seja nesses níveis que estamos falando”.

Sobre o crescimento da inadimplência, o CEO afirma que o crescimento do custo do crédito é paralelo ao avanço da carteira do banco. “É o colesterol bom para continuarmos crescendo o nosso negócio”, diz.

Houve um crescimento importante da carteira de crédito com programas governamentais, com pagamento acontecendo depois de uma janela. Nesses casos, mesmo com atrasos, há uma recuperabilidade alta, por isso não preocupa o CEO.

“O banco está muito bem provisionado”, afirma.

Caso Master

“De fato, houve um evento de magnitude relevante, como um dos maiores já observados no sistema financeiro brasileiro”, afirma o CEO, em relação ao passivo que foi viabilizado neste anos todos no banco e que está em processo de restituição aos investidores através do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

“Nossa visão como sistema é que o FGC precisa ser recapitalizado porque entendemos ser importante passar essa mensagem para todos os investidores, que o fundo tem patrimônio e que estará capitalizado diante de um evento”.

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Sobe a maneira que a capitalização deve ser feita, Maluhy destaca que há uma governança interna do fundo, assim como as atribuições do Banco Central para determinar como recomposição será feita.

“Precisamos encontrar mecanismos inteligentes para que o fundo seja recapitalizado, atenuando ao máximo o impacto para os bancos em um primeiro momento e para a sociedade”, diz. O CEO afirma a necessidade de uma conversa construtiva para reconduzir o FGC ao seu objetivo original.

“Acho que os objetivos foram desvirtuados ao longo dos anos”, diz, citando crescimento do sistema e a presença de plataformas, como o próprio Itaú mantém. “A responsabilidade é de todos nós”, diz. Em sua visão, o fundo teria viabilizado modelos de negócio não sustentáveis e teria sido utilizado como forma de alavancagem.

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“Quando você coloca um título fora de preço de mercado, que concorre com outros de bancos médios, e alguém está disposto a pagar o que for de comissão, com depósitos de longo prazo, com taxas fora do mercado. Os interesses dessas plataformas foram colocados na frente dos interesses do sistema”, diz.

Sobre os mecanismos que poderiam ser utilizados para precaver eventos como esse, Maluhy cita leis internacionais, assim como métricas já presentes no sistema brasileiro para avaliação de títulos.