Itaú mantém receita “dura de copiar” e ação sobe após 2T, mesmo com corte de guidance

Analistas destacam abordagem mais conservadora, mas mantêm visão positiva para as ações

Lara Rizério

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Agência do Itaú Unibanco (Foto: Divulgação)
Agência do Itaú Unibanco (Foto: Divulgação)

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O Itaú Unibanco (ITUB4) reportou lucro líquido recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 7,8% na comparação anual e de 1% frente ao trimestre anterior, em linha com as expectativas do mercado. O resultado veio acompanhado de um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 24,3%, patamar que continua entre os mais elevados do setor bancário brasileiro.

Apesar da entrega operacional considerada sólida por analistas, o principal ponto de atenção ficou para a revisão para baixo das projeções de crescimento das receitas com tarifas e seguros em 2026. O banco reduziu o guidance para expansão entre 2% e 5%, ante a faixa anterior de 5% a 9%, após um trimestre em que as receitas de serviços mostraram desempenho abaixo do esperado.

O ajuste na projeção acabou ofuscando parcialmente os avanços em crédito, rentabilidade e qualidade dos ativos. Ainda assim, casas como XP Investimentos, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Bradesco BBI mantiveram visão positiva sobre o banco, destacando a capacidade do Itaú de continuar crescendo com baixo risco e elevada geração de capital.

Assim, as ações subiam 2,54%, a R$ 43,17, às 10h26 (horário de Brasília) desta quarta-feira (5), também após a queda na sessão anterior.

A carteira de crédito total atingiu R$ 1,52 trilhão ao final de junho, crescimento de 9,6% em 12 meses e de 2,7% no trimestre, superando inclusive o teto do guidance anual de expansão entre 5,5% e 9,5%. O avanço foi puxado principalmente por segmentos considerados mais defensivos, como crédito imobiliário (+13,3% em um ano), consignado (+11,7%) e grandes empresas (+10,1%). O destaque ficou para o consignado privado, cuja carteira avançou 90,1% na comparação anual.

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Para a XP, a expansão da carteira continua sendo um dos principais diferenciais do banco, especialmente porque ocorre em linhas com garantia e menor risco, preservando a qualidade dos ativos mesmo num ambiente macroeconômico ainda desafiador. A corretora reiterou recomendação de compra e mantém o Itaú como sua principal escolha entre os bancos brasileiros.

A margem financeira gerencial (NII) somou R$ 33,5 bilhões, crescimento de 5,2% em relação ao segundo trimestre do ano passado e de 3,6% frente aos três primeiros meses do ano. O resultado foi impulsionado tanto pelo avanço da carteira de crédito quanto por receitas maiores da tesouraria. A margem financeira com clientes chegou a R$ 32,6 bilhões, enquanto a margem com mercado avançou para R$ 931 milhões.

No entanto, analistas destacaram que parte do crescimento dos negócios ocorreu em produtos de menor spread. Segundo o Bradesco BBI, essa migração para linhas menos arriscadas ajudou a limitar a expansão das receitas de crédito, além de contribuir para a desaceleração observada nas receitas de tarifas e seguros.

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As receitas de prestação de serviços somaram R$ 11 bilhões, praticamente estáveis na comparação trimestral e com crescimento de apenas 2,3% em 12 meses. Entre os destaques negativos estiveram as receitas de conta corrente, que caíram mais de 20% em relação ao mesmo período de 2025, além da fraqueza nas linhas de pagamentos e cobrança. Os resultados de seguros totalizaram R$ 3,1 bilhões, avanço de cerca de 9% em um ano, mas também ficaram abaixo do esperado por parte do mercado.

A qualidade dos ativos seguiu como outro dos pontos fortes do balanço. O índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo, enquanto o custo do crédito ficou em 2,7%. Houve uma leve alta nos indicadores de atraso inicial, principalmente em pequenas e médias empresas e nas operações da América Latina, mas sem deterioração relevante para o resultado.

Para o JPMorgan, o trimestre trouxe argumentos tanto para investidores mais otimistas quanto para os mais cautelosos. De um lado, o banco continua entregando crescimento próximo de 10% em crédito, rentabilidade superior a 24% e fortalecimento de capital. Do outro, houve aumento na formação de novos empréstimos problemáticos, avanço da carteira renegociada e redução do guidance de receitas de serviços, fatores que justificam alguma cautela em relação ao ritmo de crescimento dos resultados futuros.

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O Bradesco BBI também afirmou que o resultado reforça a postura cada vez mais conservadora do Itaú. Após incorporar os números do trimestre, o banco reduziu suas estimativas para 2027, refletindo principalmente perspectivas mais fracas para tarifas e seguros. Ainda assim, manteve recomendação Outperform para o papel e preço-alvo de R$ 45.

Já o Goldman Sachs destacou que a rentabilidade continua sendo um dos principais diferenciais do Itaú em relação aos concorrentes. O banco americano avalia que a combinação de crescimento saudável da margem financeira, qualidade dos ativos sob controle e ROE acima dos pares deve continuar sustentando a tese de investimento, mesmo diante do cenário mais moderado para receitas de serviços. O Goldman manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 48 para as ações.

O capital também permaneceu robusto. O índice principal de capital (CET1) subiu para 12,3%, avanço de 30 pontos-base em relação ao trimestre anterior, reforçando a capacidade do Itaú de continuar remunerando acionistas enquanto sustenta o crescimento dos negócios.

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Na avaliação do Morgan Stanley, o balanço reforça a tese de que o Itaú segue bem posicionado para atravessar um possível novo ciclo de crédito no Brasil. A instituição destacou a disciplina na concessão de empréstimos, o controle de custos e a estabilidade da inadimplência, mantendo recomendação equivalente à compra para os papéis

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.