Itaú: falta de novidade no 1T é boa notícia? Analistas seguem otimistas, mas ação cai

Analistas reforçam recomendação de compra para ações após resultado sem grandes surpresas do bancão

Lara Rizério

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Mais um resultado positivo, mas sem grandes surpresas.

O Itaú (ITUB4) entregou mais um trimestre sólido, com lucro líquido recorrente de R$ 12,28 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), queda de 0,3% na comparação com o 4T25 e avanço de 10,4% na base anual, praticamente em linha com as estimativas do mercado. Contudo, as ações fecharam em queda de 1,60%, a R$ 41,78.

Já a rentabilidade seguiu avançando no trimestre, com ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) de 24,8% (+0,4 ponto percentual na comparação trimestral e +2,3 pontos na base anual), mantendo ampla vantagem competitiva frente aos principais pares incumbentes, conforme destaca a Genial Investimentos.

“Como esperado, o começo de ano veio mais devagar, impactado por: (i) sazonalidade típica do primeiro trimestre (menor volume de negócios e dois dias úteis a menos); (ii) antecipação do pagamento de dividendos ao final de 2025, que reduziu o capital de giro disponível para geração de receita — lembrando que o menor patrimônio líquido beneficiou o ROE do 4T25 e do 1T26; e (iii) menor receita de dividendos dos investimentos quase-equity na base anual”, avalia a Genial.

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Para os analistas da casa, mesmo com a sazonalidade mais fraca típica do primeiro trimestre, o Itaú apresentou melhora sequencial na rentabilidade, apesar da leve retração do lucro líquido recorrente. A visão é de que contribuíram para o bom desempenho: avanço na Margem com Mercado; melhora no controle das despesas; menor alíquota de IR (-3,38 pontos na base anual) e, expansão da carteira de crédito de 7,2% anualmente.

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O Goldman Sachs aponta que o lucro líquido ficou 1% abaixo da sua estimativa, ainda que 1% acima do consenso da Bloomberg. O banco apresentou uma desaceleração na expansão dos lucros, com contração (ligeira) do resultado após 12 trimestres consecutivos de crescimento de pelo menos R$ 200 milhões trimestre a trimestre.

A receita líquida de juros (NII) de clientes permaneceu relativamente estável ante o 4T25 devido a efeitos sazonais e ao pagamento de dividendos adicionais no último trimestre (impacto de R$ 400 milhões no lucro líquido), que foi parcialmente compensado por alguma recuperação na NII de mercado.

“Apesar das expectativas de piora das condições de crédito no Brasil para pessoas físicas e jurídicas, as provisões e a qualidade dos ativos permaneceram, em sua maioria, sob bom comportamento e em linha com as expectativas das projeções”, avalia o Goldman.

As tarifas apresentaram sazonalidade mais fraca (-7% trimestralmente) devido à redução das taxas de performance e dos cartões de crédito. “Apesar da expansão moderada dos lucros, esperamos que o Itaú continue apresentando tendências superiores de capital e rentabilidade em comparação com seus pares, o que atenua as preocupações com a deterioração do ciclo de crédito no Brasil impactando o banco”, avalia a equipe de análise do Goldman.

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Para o JPMorgan, embora os lucros tenham permanecido praticamente estáveis ​​em relação ao trimestre anterior e o lucro antes de impostos (EBT) tenha ficado 2% abaixo de suas estimativas, a avaliação era de que o mercado receberia bem a divulgação de que o Itaú tem aproximadamente metade do índice de inadimplência do setor na maioria dos produtos.

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“Sim, as políticas de baixa contábil podem distorcer as comparações, mas ainda é interessante observar que o Itaú, em comparação com o setor (excluindo o próprio Itaú), apresentou: (i) 5,1% versus 9,3% de inadimplência em empréstimos pessoais; (ii) 5,1% versus 10,2% de inadimplência em cartões; (iii) 4,2% versus 7,1% em folha de pagamento privada, entre outros”, aponta.

Na mesma linha, o Bradesco BBI ressalta que os resultados do Itaú ficaram em linha com as suas estimativas, sem grandes novidades. “Destacamos o desempenho ainda sólido da qualidade dos ativos, com os indicadores iniciais seguindo a sazonalidade (embora ainda melhores do que no ano passado no segmento de pessoas físicas). Não prevemos grandes mudanças em nossas estimativas para 2026”, avalia o banco.

Falta de notícias é boa notícia?

Neste cenário, os analistas seguem otimistas com as ações do Itaú. “Reiteramos nossa recomendação de compra para Itaú, com preço alvo de R$ 53,00 para ITUB4, upside de 24,8% frente ao último fechamento, além de um yield (rendimento) estimado de 7,0%. Para o ano de 2026, esperamos um lucro de R$ 52 bilhões (+11,1% a/a), ancorado em uma agenda de melhora de eficiência operacional e expansão da carteira de crédito. O ciclo de corte de custos pode durar 2-3 anos e tem potencial para sustentar o diferencial de rentabilidade frente aos pares”, destaca a Genial.

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A Genial continua otimista com a entrega do Itaú nos próximos trimestres, seguindo sem mudanças estruturais na tese de investimento. O Itaú segue bem-posicionado para entregar crescimento de lucro em dois dígitos baixos em 2026, com ROE elevado e forte geração de dividendos.

“Com alocação disciplinada de capital, reiteramos nossa visão construtiva sobre o banco, que continua entregando resultados consistentes ao longo de vários ciclos de crédito, rentabilidade bem acima de seus pares e mix interessante de crescimento com generoso pagamento de dividendos (payout de 70%)”, avalia.

O Goldman também segue com compra para os papéis ao ressaltar que, apesar da expansão moderada dos lucros, o Itaú continua apresentando tendências superiores de capital e de rentabilidade em comparação com seus pares, o que atenua as preocupações com a deterioração do ciclo de crédito no Brasil e seu impacto sobre o banco. O JPMorgan também tem recomendação equivalente para os ativos, assim como o Bradesco BBI, que tem preço-alvo de R$ 45 para os papéis.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.