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SÃO PAULO – O Ibovespa está de volta na casa dos 60.000 pontos – um patamar que muitos acreditam ser baixo para o principal índice da bolsa brasileira -, mas o atual momento pode requerer um aumento do risco em carteira, acredita o estrategista do Itaú BBA, Florian Tazer. “É provável que os investidores precisem tomar riscos significativos para gerar retornos este ano”, afirma.
Para ele, as ações consideradas como “portos seguros” já estão precificadas a níveis bastante elevados e, por conta disso, oferecem expectativa de retorno futuro muito baixo no momento, se chegarem a oferecer algum retorno. “Agora é a hora de arriscar, ações selecionadas devem oferecer uma relação de risco e retorno muito mais interessantes”, afirma Tazer.
Para ele, os mercados devem continuar a precificar taxas de juros artificialmente baixas ao redor do mundo, o que contribui para fortalecer as bolsas: o índice da bolsa mexicana está na máxima histórico , enquanto o norte-americano S&P 500 e o alemão DAX 30 estão bem próximos de sua maior pontuação de todos os tempos. Enquanto isso, o Ibovespa está cerca de 10% abaixo da máxima histórica. “Essa política monetária frouxa ajuda a fortalecer o preço dos ativos, mas o seu efeito na economia ainda precisa ser sentido”, avisa.
Tazer salienta que a pergunta, para os investidores, é “a atual situação está sustentável? que impacto isso deve ter no preço das ações, valuations e fluxo de investimentos?”. Enquanto isso, outros perguntam em que lugar estaria o Brasil, e o mundo, sem políticas monetárias como essa, se a crise teria ficado mais grave ou não.
Hora do risco?
De acordo com Tazer, não há upside significativo no mercado como um todo no momento, o que torna ainda mais importante o trabalho de escolher as ações com mais cuidado. “Ações de alto risco devem ofereciar um potencial decente”, avalia.
Ele recomenda três ações que devem ter fortes altas: Lupatech (LUPA3), Brookfield (BISA3) e OGX Petróleo (OGXP3), sendo que a primeira deve ter altas superiores a 250% – o que ele acredita ser o potencial mais forte entre as empresas da região. Já as outras duas deverão ter próximas às regiões de 70%. O potencial pode não ser todo realizado, mas os investidores podem ficar de olho, em tempos de euforia, esses papéis deverão registrar fortes altas.
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Embora não veja nenhuma delas como uma “aposta segura”, Tazer acredita que o maior potencial se concentra nos setores e ações que possuem risco associados mais elevados – sejam eles regulatórios, ou específicos de cada empresa. “Seguir essas recomendações pode tão perigosa quanto lucrativa”, avisa.
Aproveite a alta enquanto ela dura
Para Tazer, o ideal é se expor no mercado de ações enquanto cenário de alta permanece – e o mercado deve encontrar situações dramáticas ao longo do ano que devem mexer com o mercado. “A alocação proposta deve ser considerada para o começo do ano, e não uma espécie de carteira estática”, diz o estrategista.
Ele salienta que o risco ainda é bastante alto, e que os mercados devem voltar a se enfraquecer significamente durante o ano. “Isso é similar à minha estratégia no ano passado, em que eu acreditava que o início forte deveria durar um ou dois trimestres. Espero que não teremos que ficar tão cautelosos em março novamente como ficamos no ano passado”, salienta.
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Por enquanto, ele prefere o Brasil ao mercado acionário mexicano, o segundo mais importante na América do Sul. E no momento, ele prefere os setores de energia e de bancos, no lugar de varejistas e empresas de commodities. Ele também está exposto aos setores de telecomunicações, construtoras – com PDG Realty (PDGR3), algumas empresas de energia, através de Transmissão Paulista (TRPL4) e AES Tietê (GETI4) e do setor de agronegócio.
Para ele, o mercado estar com volatilidade reduzida, o que pode ser visto pelo fato do VIX estar na mínima dos últimos anos, ajuda os investidores a realizarem “proteção” contra quedas – como derivativos de ações, de bolsa e contratos futuros, já que eles podem ser necessários em algum momento do ano. Caso o Ibovespa retorne para baixo dos 60.000 pontos, ele deve rever o seu cenário. “Mas continuamos, fundamentalmente, bastante suspeitos do que pode vir”, afirma.