Ajuste fiscal

Itaú defende ajuste plurianual que eleve primário para 2,5% do PIB até 2018

Para o economista Luka Barbosa, o tamanho do ajuste fiscal é definido pela estimativa do superávit primário necessário para estabilizar a dinâmica da dívida pública

Aprenda a investir na bolsa

O Departamento Econômico do Itaú Unibanco avalia que para estabilizar a dívida pública no longo prazo se faz necessário um ajuste plurianual que aumente o superávit primário para 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2018. Em relatório enviado a clientes do banco neste final de semana, o economista Luka Barbosa diz que o ajuste fiscal não deve se esgotar neste ano. De acordo com ele, uma parte foi implementada e agora a questão é saber quanto falta para concluir o processo. “Para responder a esta pergunta precisamos definir o tamanho necessário do ajuste fiscal. Depois verificar o quanto já foi implementado”, diz Barbosa.

Para o economista, o tamanho do ajuste fiscal é definido pela estimativa do superávit primário necessário para estabilizar a dinâmica da dívida pública. Segundo avalia, o quanto já foi implementado é calculado avaliando as medidas já tomadas e seus impactos no superávit primário. “Definimos como necessário um ajuste plurianual que aumente até 2018 o superávit primário para 2,5% do PIB, nível que estabiliza a dívida pública no longo prazo, segundo nossos cálculos”, reiterou o economista do Itaú Unibanco.

Ainda segundo o relatório da instituição, o tamanho do ajuste necessário é de 5% do PIB e menos da metade dele foi atingido. “A queda do superávit primário nos últimos anos criou a necessidade de um ajuste fiscal, de forma a recuperar a sustentabilidade da dívida pública”, diz Barbosa. Ele lembra que a necessidade de ajuste ganhou destaque no ano de 2014, caracterizado por uma queda mais intensa do resultado primário, para 0,6% do PIB, e aumento na dívida pública sobre o PIB.

Aprenda a investir na bolsa

O economista diz ainda que, de acordo com seus cálculos, as medidas fiscais já implementadas somam 1,9% do PIB, ou 38% do ajuste necessário. Deste montante, afirma, o corte de gastos representa 1% do PIB, incluindo o corte nas despesas discricionárias e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) condizente com o contingenciamento do orçamento de 2015. “Outros 0,8% do PIB são aumentos de impostos”, disse o economista do Itaú Unibanco.

Por fim, escreve o economista, os governos regionais contribuíram com 0,1% do PIB para o ajuste, calculado com base no superávit primário destes entes acumulado este ano, ante o mesmo período do ano passado. “Desta forma, embora o ajuste já realizado – de quase 2 pontos porcentuais do PIB – seja historicamente relevante, ele representa um pouco menos da metade do ajuste fiscal necessário para aumentar o superávit primário para níveis mais consistentes com estabilização da dívida pública”, disse Barbosa, acrescentando que este exercício destaca também a importância de reformas estruturais que busquem reduzir a tendência de crescimento sustentado do gasto federal como porcentual do PIB, principalmente a despesa com benefícios previdenciários.