Itaú BBA eleva projeção de Selic e câmbio e reduz para PIB para 2013

Time de economistas do banco destaca "a diferença que o câmbio faz" como um dos alicerces para sua revisão de cenário

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SÃO PAULO – Após as mudanças recentes do cenário global e a crescente desconfiança nos indicadores da economia doméstica, a equipe de pesquisa macroeconômica do Itaú BBA, chefiada por Ilan Goldfajn, elevou as projeções para as taxas de câmbio e juros para o biênio 2013-2014. Nem o PIB (Produto Interno Bruto) escapou da revisão: o indicador teve sua previsão de crescimento reduzida em 0,1 ponto percentual, para 2,3%.

O relatório do banco, intitulado “a diferença que o câmbio faz”, deixa bem claro qual o principal fator que guiou as mudanças de projeções. O time de economistas do Itaú prevê o dólar a R$ 2,18 ao final de 2013 e 2014, bem diferente das atingas projeções, que apontavam para R$ 2,07 e R$ 2,10, respectivamente. Segundo os economistas, tal mudança de prognóstico se deve, sobretudo, aos indícios de recuperação da economia norte-americana, o que pode culminar na redução dos estímulos do Federal Reserve – atualmente, o banco central dos EUA injeta US$ 85 bilhões por mês na economia do país através da compra de títulos públicos, podendo interrompê-los à medida que o desemprego local dê sinais de recuperação.

Além disso, o relatório apontou para a maior desvalorização do real em relação ao dólar (11% desde meados de maio), se comparado com as moedas de outros países como Chile, México, Austrália e África do Sul – que mostram depreciação entre 5% e 8%. “Embora fatores de mercado como liquidez possam ter influência nessas diferenças de comportamento entre as moedas, a depreciação mais intensa do real também pode estar associada a fatores domésticos: baixo crescimento e maior incerteza sobre a política econômica. Esses fatores sugerem também que o real pode apreciar menos quando os mercados se normalizarem”, avaliou a equipe de pesquisa macroeconômica do Itaú.

Selic a 9,75% ao ano e IPCA dentro da meta
Além da taxa de câmbio, os economistas elevaram, ainda, a projeção da Selic de 8,75% para 9,75% ao ano ao final de 2013. Segundo eles, o ajuste seria implementado “a passos de 0,50 p.p. em três reuniões, seguido de um aumento de 0,25 p.p.”. E esse primeiro aumento já ocorreria na próxima decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), agendada para próxima quarta-feira (10).

O superávit primário também teve suas projeções revistas: subiram de 1,5% do PIB para 1,7%, e, em 2014, de 0,9% do PIB para 1,1%. “Com a depreciação do câmbio, reduzimos a nossa projeção de déficit em transações correntes em 2014 de 3,3% do PIB para 2,9%”, apontavam no relatório.

Apesar de o aumento na previsão da Selic, os prognósticos para inflação também subiram. A equipe de Ilan Goldfajn elevou a projeção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 5,8% para 6,1% neste ano, mantendo o índice dentro da meta – o governo trabalha com uma meta de inflação em 4,5%, aceitando oscilações de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

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“Os protestos populares reduzem a chance de um ajuste mais profundo nas contas públicas, pelo menos no curto prazo. Houve várias manifestações ao longo de junho que dificultam uma postura mais cautelosa do lado fiscal”, avaliaram.

“Crescimento também deve ser afetado”, diz Itaú
Com a revisão negativa da maioria dos dados, pouco provável seria que o PIB se mantivesse nos mesmos 2,4% da última previsão. De fato, o indicador teve sua previsão reduzida em 0,1 p.p., acompanhando o maior pessimismo visto nos demais indicadores.

Ainda assim, a projeção divulgada nesse relatório é mais otimista do que a feita pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que rebaixou a previsão para o índice de 3,2% para 2% neste ano. Ela também está alinhada às estimativas apresentadas na edição atualizada do boletim Focus, relatório de projeções divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.