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SÃO PAULO – Destacando o momento bastante turbulento para as ações de energia elétrica em meio à possibilidade de racionamento de energia, o Itaú BBA listou ações de companhias que podem superar a nova crise do setor e aquelas que terão um desempenho abaixo da média do mercado. Além disso, a corretora destacou que, com a possível crise energética em vista, a queda dos custos de energia devem ser neutralizados pelo aumento das tarifas com a maior participação das energias térmicas.
Dentre as companhias que podem superar este cenário de crise, estão a Transmissão Paulista (TRPL4), Tractebel (TBLE3), Light (LIGT3), Copel (CPLE6) e Cesp (CESP6). Já no extremo oposto, entre aquelas que serão as mais afetadas, estão a Eletropaulo (ELPL4), AES Tietê (GETI4), Energias do Brasil (ENBR3) e Cemig (CMIG4), cujas ações devem ser as mais impactadas negativamente.
O analista Marcos Severine destaca que, enquanto o negócio de transmissão não é afetado por uma expectativa do comprometimento dos níveis de energia. Por outro lado, caso o racionamento se confirme os custos podem subir e as receitas irão para baixo. Os geradores de hidrelétricas podem ser contratados a preços spot muito altos, ressalta o analista, destacando que os térmicos podem registrar ganhos extraordinários caso a produção ultrapasse a energia assegurada.
Energia térmica pode mais do que compensar cortes
Severine destaca ainda que, após a dor de cabeça com a renovação das concessões, as condições hidrológicas pobres assumem lugar de destaque entre as principais preocupações dos investidores. “O risco crescente de racionamento de energia é um tema que alertamos os investidores desde o final do ano passado, mas a nossa preocupação foi intensificada por uma chamada de conferência com a Climatempo no começo de janeiro”, ressalta o analista.
Apesar de não haver evidências suficientes se haverá um déficit de energia no Brasil em algum momento durante os anos de 2013 e 2014, Severine aponta que esta hpótese não está descartada. Primeiramente, ele considera que o racionamento é uma política bastante impopular, bastante suscetível de ser evitado pelo governo perto das eleições presidenciais e da Copa do Mundo, ambos em 2014. No entanto, deve-se considerar também o nível de estresse que está o sistema de energia, com probabilidade de que ele ainda permaneça assim nos próximos meses.
No caso de uma diminuição dos níveis hidrológicos, os custos de geração podem subir ainda mais. Se os volumes de chuva permanecerem abaixo de 80% da média no longo prazo, a estimativa é de que o aumento no custo de geração chegaria a R$ 25,5 bilhões, que seriam repassados para as tarifas de energia. Isso representaria um aumento tarifário de 23,5%, mais do que compensando a redução das tarifas desencadeadas pela renovação de concessões, de 20,2%.
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Saverine ressalta ainda que, em possibilidade de que um racionamento, possa ainda haver um comprometimento da capacidade de recuperação da indústria, que ensaia uma retomada em 2013.