Itaú BBA aposta em Tenda (TEND3) como destaque entre construtoras de baixa renda

Banco inicia cobertura do setor com visão positiva, com maior parte das companhias vivendo bons momentos

Victória Anhesini

(Divulgação)
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O Itaú BBA iniciou a cobertura das construtoras brasileiras de baixa renda com uma visão positiva para o setor e sinalizou que os maiores ganhos podem vir de nomes menos óbvios. Para os analistas, empresas como Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) já entregaram retornos expressivos nos últimos anos, mas agora é hora de olhar para Tenda (TEND3) e Plano & Plano (PLPL3), que oferecem melhor relação risco-retorno.

“Tenda tem sido historicamente negligenciada pelos investidores, mas acreditamos que a sólida perspectiva de lucro do seu negócio on-site deve mais do que compensar as pequenas perdas ‘ruidosas’ das operações off-site, restaurando a confiança do mercado e potencialmente impulsionando o melhor desempenho da nossa cobertura”, diz o banco, em relatório.

Além disso, os analistas destacam que a Plano & Plano foi deixada de lado por sua baixa liquidez em bolsa. Porém, numa observação mais profunda, o Itaú BBA enxerga a melhor relação risco-retorno sobre nomes mais “populares”.

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A MRV (MRVE3), na visão dos analistas, ficou para trás em relação aos pares do setor. Apesar de um turnaround (processo de recuperação financeira e operacional) esteja em andamento, eles ainda acham que é cedo demais para apostar.

Fundamentos e expectativas

De acordo com o relatório divulgado na segunda-feira (15), o setor passa por um de seus melhores momentos. Os analistas destacam que a acessibilidade à habitação está em níveis recordes e os ROEs (Retorno Sobre Patrimônio Líquido) estão alcançando patamares históricos, sustentados por margens sólidas, maior giro de ativos e alavancagem operacional. 

“Ao quebrar esses retornos ao longo do tempo, as margens líquidas não são muito melhores do que em outros ciclos do Minha Casa, Minha Vida, mas o giro de ativos aumentou em comparação aos ciclos anteriores e a alavancagem operacional subiu devido a mais aquisições de terrenos via swaps, securitizações e alavancagem”, diz o relatório.

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Eles destacam que apesar dos modelos de negócio carregarem riscos mais altos, a avaliação é que a criação de valor deve permanecer forte.

Top pick

A Tenda foi escolhida como Top Pick (principal recomendação), com preço-alvo de R$ 40 por ação e potencial de valorização de 51% em relação ao fechamento da última sexta-feira (12). 

O Itaú BBA avalia que a companhia já deixou para trás o período mais difícil de reestruturação e vem se beneficiando do desempenho robusto do negócio on-site (construção direta), com margens comparáveis às da Cury. A expectativa é de que o lucro por ação cresça 65% ao ano até 2026.

Em segundo lugar tem a aposta na Plano & Plano, com preço-alvo de R$ 24 e alta potencial de 44%. Os analistas acreditam que a empresa ainda não reflete nos resultados toda a força de sua expansão em lançamentos e vendas, mas que 2026 será o ponto de virada.

Análise de outras empresas do setor

Segundo o relatório, os líderes do setor nos últimos anos continuam atraentes, mas o espaço para surpresas é menor. O Itaú BBA projeta valorização de 28% para CURY e 27% para Direcional, sustentada por margens elevadas e crescimento consistente. “Os retornos já não parecem espetaculares, mas ambas ações continuam atrativas considerando o baixo risco de execução”, aponta.

No caso da MRV, o banco reconhece avanços operacionais e financeiros, como a venda de ativos da Resia, mas considera que ainda é cedo para apostar na ação. O preço-alvo é de R$ 9, o que representa potencial de valorização de 19%. O Itaú BBA alerta que qualquer falha de execução pode comprometer as projeções de 2026, embora veja potencial relevante no longo prazo.