Projeções em destaque

Itaú BBA aponta 7 temas para Petrobras e vê “mundo de oportunidades” para Eletrobras: as recomendações em destaque

Além das recomendações do banco, o Bradesco BBI colocou a Usiminas como top pick, enquanto o Goldman reduziu a recomendação para a Minerva

Refinaria Presidente Getúlio Vargas Petrobras
(Agência Petrobras / André Valentim)
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SÃO PAULO – As recomendações seguem movimentando o mercado nesta quarta-feira (21). Nesta sessão, os investidores repercutem as recomendações do Itaú BBA para Petrobras e Eletrobras, enquanto o Bradesco BBI colocou a Usiminas como a top pick no setor de siderurgia. Por fim, o Goldman Sachs reduziu a recomendação para a Minerva, o que impactou no preço das ações, com baixa de até 6%. Confira os destaques das recomendações:

Petrobras (PETR3;PETR4

O Itaú BBA destacou em relatório os sete principais pontos para ficar de olho em 2020 quando o assunto são as ações da Petrobras (mais especificamente, sobre os ativos preferenciais), além de revisar as estimativas para a companhia com os números mais recentes.

André Hachem e Leonardo Marcondes, analistas do banco, mantiveram a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ativos PETR4, elevando o preço-alvo de R$ 38 (US$ 18 para o ADR, ações da estatal negociadas nos EUA) para R$ 40 (ou US$ 19 por ADR).

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Abaixo, estão listados os sete tópicos para a companhia em 2020, segundo o Itaú BBA.

i) mudanças no mix de produção: a empresa deve se beneficiar neste ano de um portfólio mais rico, já que a proporção de barris em desenvolvimento sob os regimes de cessão onerosa e partilha de produção (no campo de Búzios, arrematado pela companhia no leilão da ANP, Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) aumentará em relação à produção sob o regime de concessão.

ii) mudanças após leilão da ANP: ainda relacionado à produção, o analista destaca a rodada de licitações de 2019, em que a Petrobras assumiu um papel-chave em um cenário em que poucos estrangeiros arremataram campos. “Isso trará algumas mudanças importantes nas finanças da companhia. O leilão de cessão onerosa tem ramificações na curva de produção e nas finanças da Petrobras, já que a empresa foi obrigada a pagar um grande bônus de assinatura inicial e terá que fazer compromissos de investimento nos próximos anos para desenvolver o campo de Búzios”, avaliam os analistas.

A petrolífera arrematou os campos de Búzios no leilão dos excedentes da cessão onerosa, realizado em 6 de novembro de 2019, e foi a única a apresentar (em consórcio) propostas para o campo. O bônus total a ser pago é de R$ 68,194 bilhões, sendo que R$ 61,374 bilhões cabem à Petrobras, controladora de 90% do consórcio que arrematou o bloco. 5% pertencem à chinesa CNODC, e outros 5%, à CNOOC.

iii) produção na Bacia de Campos: houve uma queda significativa nos últimos dois anos, muito em razão de um acordo assinado pela Petrobras para melhorar suas práticas de descarte de água, resultando em um maior tempo de inatividade das plataformas. Segundo o analista, ajustando a produção da Bacia de Campos para o tempo de inatividade, é possível observar um potencial de recuperação da produção da Bacia de Campos.

iv) comissionamento de novas plataformas: a companhia adotou uma política de efetuar apenas contratos de arrendamento e operação de suas unidades, ao invés de ter plataformas próprias. No entanto, à medida que o mercado de FPSO se torna mais apertado, a empresa pode voltar a fazer plataformas próprias.

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v e vi) plano de desinvestimento de oito refinarias do Brasil (50% de sua capacidade) e política de preços: a venda dos ativos de refino pode render uma melhora na governança corporativa da empresa. Com relação à política de preços, por sua vez, os analistas avaliam que a Petrobras retomou o preço de mercado livre, adotando mecanismos de hedge para conter a volatilidade.

“Entretanto, alguns eventos, entre eles, geopolíticos, causaram aumentos significativos no preço do petróleo, enfatizando as tensões e os riscos relacionados aos preços do diesel e da gasolina: se os preços mais altos do petróleo forem sustentados por mais tempo, um repasse mais alto seria necessário”, apontam os analistas.

vii) venda de ativos, alavancagem e dividendos: o cenário base do Itaú BBA é de que a Petrobras atinja o limite de 1,5 vez a relação entre dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) em 2021. Os analistas projetam que o dividend yield das ações da companhia seja de 4% em 2022 com a nova política de distribuição de proventos.

Eletrobras (ELET3;ELET6)

O Itaú BBA também iniciou a cobertura para as ações ordinárias da Eletrobras com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) em relatório chamado “um mundo de oportunidades”, com preço justo de R$ 56 (potencial de valorização de 35% frente ao valor negociado nesta quarta)  para o ativo para o fim de 2020. O banco atribui 50% de chance de privatização da companhia; no cenário de não haver nenhuma probabilidade de privatização, o preço-alvo iria para R$ 44 por ação (potencial de alta de 6,39%).

De acordo com o analista Marcelo Sá, a companhia apresenta um equilíbrio de risco e retorno muito atraentes, que podem ser potencializados se a empresa for privatizada, ao mesmo tempo que deve haver uma queda limitada se o governo federal desistir da possibilidade de privatização.

No cenário otimista, o analista apresenta uma avaliação de R$ 68 por ação (alta de 64%), enquanto que, no caso mais conservador, é de R$ 32 por ação (ou queda de 22%).

Sobre o tema da privatização, o analista reforça que a Eletrobras contratou uma empresa de consultoria para identificar medidas caso a empresa permaneça sob controle estatal. As medidas adicionais adotadas têm potencial de reduzir os custos em R$ 500 milhões por ano em 2021, enquanto o caso base assume R$ 300 milhões por ano.

O analista avalia ainda o potencial da Eletrobras para aumentar o pagamento de dividendos a médio prazo em meio a um cenário de rápida desalavancagem. Desde que Wilson Ferreira Jr. assumiu o cargo de presidente da estatal no segundo trimestre de 2016, a companhia reduziu sua alavancagem de 9,8 vezes a relação entre dívida e Ebitda para 1,8 vez no terceiro trimestre de 2019.

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Com isso, a expectativa de Sá é de que a alavancagem continue caindo, o que abrirá espaço para o aumento de pagamento de dividendos.

Usiminas (USIM5)

Os analistas do Bradesco BBI mudaram suas preferências para o setor de siderurgia, colocando agora a Usiminas como a top pick do setor com preço-alvo de R$ 13; antes, a top pick era a Gerdau (GGBR4).

A expectativa para a Usiminas é de uma combinação de recuperação de volume e preço em 2020 que deve levar a um Ebitda mais forte, assim como expansão de múltiplos. A siderúrgica negocia a um múltiplo de 6 vezes a relação entre o valor de empresa e Ebitda esperado para 2020, com um desconto de 18% para GGBR4; os analistas acreditam numa potencial rotação de Gerdau para Usiminas.

“O momentum de aços planos está crescendo, uma vez que (1) não apenas os preços internacionais do aço tipo HRC têm recuperado cerca US$ 70 a tonelada (ou 17%) da baixa recente, mas (2) também com o real depreciado em cerca de R$ 4,20”, avaliam os analistas.

A expectativa é de 10% de aumento de preço para o canal de distribuição em 2020, que deve se materializar mais rápido do que esperado (e talvez em maiores níveis – aparentemente siderúrgicas estão anunciando uma iniciativa de aumento de 10% para março, em cima dos 10% de janeiro).

“Mesmo considerando a implementação total do aumento de janeiro/fevereiro, ainda vemos o aço HRC doméstico negociando a 4% de desconto na relação com o importado, sugerindo que outro aumento de 10% pode acontecer. Dito isso, vemos boas chances de um aumento combinado de 15% para distribuição pegar até o final de março”, avaliam.

Já do lado do volume, a estimativa é de uma demanda de aços planos crescendo entre 4% e 5% em 2020, com base em taxas de crescimento similares na média em setores chave de consumo (fabricantes de automóveis e bens de capital, além de maquinário). “A Usiminas ainda está rodando a cerca de 65% de capacidade disponível (ou 45% de capacidade instalada) e a estimativa é de um crescimento de volume de 25% nos próximos 3 a 5 anos”, apontam os analistas.

Minerva (BEEF3)

O Goldman Sachs reduziu a recomendação para as ações da Minerva de neutra para venda, destacando que o “momentum” positivo está totalmente precificado. Após uma alta de 157% em 2019 e ganhos de dois dígitos em 2020, os analistas do banco apontam que as ações andaram à frente dos fundamentos e há risco para baixo diante das expectativas elevadas.

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O cenário para as exportações deve permanecer favorável, mas a alta recente nos preços do gado no Brasil pode prejudicar a demanda doméstica. O preço-alvo é de R$ 12 (uma queda de 16% frente ao preço negociado nesta quarta-feira).

O rebaixamento acontece antes da precificação da oferta de ações na quinta-feira, que pode levantar R$ 1,4 bilhão.

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