“Isso é uma loucura”: os 15 minutos que abalaram o mercado nesta segunda

Rumor sobre suspensão de tarifas fez bolsa disparar - até os operadores perceberam que a manchete não era verdadeira

Bloomberg

Uma televisão transmite notícias sobre tarifas no pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), em Nova York, EUA, em 7 de abril.
Fotógrafo: Michael Nagle/Bloomberg
Uma televisão transmite notícias sobre tarifas no pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), em Nova York, EUA, em 7 de abril. Fotógrafo: Michael Nagle/Bloomberg

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Pouco depois das 10h da manhã, gritos irromperam na mesa de negociação da Siebert, no centro de Manhattan. Mark Malek, diretor de investimentos da empresa, saiu correndo de sua sala ao ouvir seu principal operador gritando que o presidente Donald Trump estava considerando suspender a implementação generalizada de tarifas que vinha derrubando os mercados de ações há dias.

Malek não acreditou. “Isso é besteira,” ele exclamou. Mas, segundos depois, assistiu, atônito, enquanto as ações disparavam de forma desenfreada, apagando todas as perdas daquela manhã no S&P 500 e subindo até 3,4%. “O mercado está muito sensível,” disse Malek. “Dizer que estamos no limite é pouco.”

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A manchete que parecia ter desencadeado tudo parecia suficientemente crível para operadores desesperados por boas notícias — mesmo que viesse de uma conta obscura na plataforma de mídia social X. “HASSETT: TRUMP ESTÁ CONSIDERANDO UMA PAUSA DE 90 DIAS NAS TARIFAS PARA TODOS OS PAÍSES, EXCETO A CHINA,” dizia o post.

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À medida que as ações começaram a disparar, os compartilhamentos se acumularam, seguidos por manchetes quase idênticas de grandes veículos de notícias. Em sete minutos, o S&P havia adicionado mais de US$ 2,5 trilhões em valor. E então, tão rapidamente quanto subiu, tudo evaporou.

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A Casa Branca afirmou que os comentários atribuídos a Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, eram “notícias falsas”.

Quando os operadores “perceberam que essa manchete não era verdadeira, tudo foi vendido novamente. Agora todo mundo está levando uma surra,” disse Peter Tuchman, operador sênior da TradeMas na Bolsa de Valores de Nova York. “Isso é uma loucura.”

No total, o vaivém durou cerca de 15 minutos. Ainda assim, mesmo depois de a Casa Branca negar o relatório e as ações devolverem os ganhos, a febre de vendas diminuiu, com os papéis permanecendo bem acima das mínimas da sessão.

O episódio serviu como um lembrete de que, atualmente, não é preciso muito para desencadear um rali repentino, forçando alguns investidores a se preocuparem por terem reduzido demais suas posições em ações.

“O risco de alta é tão assustador quanto quando os mercados disparam 8% por causa de um post no Truth Social ou uma manchete falsa,” disse Chris Murphy, co-chefe de estratégia de derivativos da Susquehanna.

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