Publicidade
SÃO PAULO – A equipe de análise econômica do banco Société Générale publicou relatório nesta quinta-feira (25) criticando o nível de austeridade a ser promovido pelo governo da Irlanda, conforme proposto na última sessão.
Tendo anunciado seu plano fiscal para os próximos quatro anos, que ainda deve ser votado pelo Congresso, o governo irlandês confirmou o perfil altamente agressivo dos ajustes, enquanto os cortes propostos nos gastos sociais foram mais profundos que o esperado.
Os pontos destacados do plano são o ajuste fiscal no total de € 15 bilhões ao longo dos próximos quatro anos, com alta concentração dos cortes no curto prazo, o agravamento das condições de partida e a manutenção das mesmas metas fiscais, as previsões de crescimento da economia do governo, que são consideradas excessivamente otimistas, e o impacto e risco político do plano.
Continua depois da publicidade
Efeito adverso
Para os analistas do banco, “o impacto de cortes tão severos pode sair pela culatra, levando a frágil economia irlandesa a uma profunda e duradoura contração econômica”. Desta forma, mais do que resolver, os cortes promovidos podem complicar ainda mais a crise fiscal irlandesa, minando as receitas tributárias. O banco destaca ainda que, caso essas movimentações sejam acompanhadas por uma desinflação pronunciada, o governo pode ficar sem atitude para enfrentar a espiral descendente da economia.
Destacando mais uma vez a concentração de medidas no curto prazo – 40% dos € 15 bilhões de ajuste serão feitos somente em 2011 –, os economistas afirmam que isso pode causar uma redução entre 2,5% e 4% no PIB (Produto Interno Bruto) da Irlanda nos próximos dois anos (em comparação com um cenário sem ajustes). Desta forma, o risco de uma contração superior a 2% da economia no próximo ano é visto como uma vulnerabilidade importante.
Agravantes
Ademais, esse impacto adverso poderia ser amplificado por três fatores: agravamento da oferta de crédito, o fato das retrações fiscais europeias acontecerem simultaneamente poder ocasionar uma redução da demanda doméstica e a política de cortes de juros poder não funcionar nesse contexto.