Irani (RANI3) resiste à sazonalidade e apresenta resultados sólidos no trimestre

Ebitda ajustado chega a R$ 128 milhões mesmo com pressão sobre vendas

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Setor de papel e celulose (Shutterstock)
Setor de papel e celulose (Shutterstock)

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A Irani (RANI3) reportou seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) com uma performance sólida. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 128 milhões esteve 2% abaixo da expectativa da XP Investimentos e mostrou uma queda de 12% em relação ao trimestre anterior.

Com resultados dentro da margem esperada, a XP manteve a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 12,00 para o final de 2026, um aumento de 9,2% em relação ao preço anterior (R$ 9,50).

De acordo com os analistas da casa, os resultados foram impactados pela sazonalidade mais fraca. Ainda assim, a Irani conseguiu mostrar um desempenho resiliente de preços e menores custos de OCC (papelão ondulado usado). Como resultado, o Ebitda chegou a 30,8%, contra os 33,7% na comparação entre trimestres e -1 ponto percentual que a estimativa da XP.

Viva do lucro de grandes empresas

O volume de vendas foi impactado pela sazonalidade atenuada no setor. Em papel, a queda chegou a 8% entre trimestres, com uma leve alta de 4% na comparação com o ano anterior. Já as embalagens caíram 2% t/t e menos 6% ao ano. Parte do impacto veio dos mercados asiáticos de celulose, desacelerados por conta do feriado do Ano Novo Lunar na China.

Apesar da sazonalidade, houve aumentos de preços em diversas regiões, tanto para celulose quanto para papel. Na Ásia, a April anunciou aumento de US$ 20 por tonelada, a partir de março. A Suzano também anunciou um reajuste em linha com o aumento asiático, na semana anterior.

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Resultados financeiros

A dívida líquida/Ebitda ficou em 2,0x no 4T25, contra 2,1x no trimestre anterior, abaixo do target de 2,5x da Irani. O capex ao final do trimestre foi de R$ 64 milhões. Ao mesmo tempo, o fluxo de caixa livre (FCF) ajustado totalizou R$ 102 milhões. De acordo com os analistas da XP, o resultado refletiu o impacto positivo de capital de giro e do encerramento do negócio de resinas.

Junto com a divulgação dos resultados, o Conselho de Administração da Irani também está propondo dividendos de R$ 0,26/ação (mínimo + extraordinário), com cerca de 2,7% de dividend yield.

Para os analistas da XP, no futuro, a expectativa é de riscos positivos. Ao longo de 2026, a estimativa é de que a companhia tenha demanda resiliente por caixas de papelão ondulado e se depare com um ambiente favorável de preços no segmento de papel e embalagens. Além disso, a expectativa é de menores custos de insumos no futuro, após o recuo nos preços de OCC.