Irã e EUA minimizam esperanças de um avanço iminente para fim da guerra

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou a repórteres em Nova Délhi que os EUA dariam à ‌diplomacia todas as chances de sucesso antes de explorar 'alternativas'

Reuters

Uma mulher passa em frente a um outdoor anti-EUA que retrata o presidente americano Donald Trump e o Estreito de Hormuz, em Teerã, no Irã, em 8 de maio de 2026. Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via Reuters
Uma mulher passa em frente a um outdoor anti-EUA que retrata o presidente americano Donald Trump e o Estreito de Hormuz, em Teerã, no Irã, em 8 de maio de 2026. Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via Reuters

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NOVA DÉLHI/DUBAI, 25 Mai (Reuters) – ⁠Irã e Estados Unidos minimizaram as esperanças de um avanço iminente nos ⁠esforços para acabar com a guerra de três meses, nesta segunda-feira, com o principal diplomata dos ‌EUA dizendo que Washington vai conseguir um bom acordo ou lidar com o país de ‘outra forma’.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou a repórteres em Nova Délhi que os EUA dariam à ‌diplomacia todas as chances de sucesso antes de explorar ‘alternativas’, depois que o presidente Donald Trump disse no domingo que havia dito a seus representantes para não se apressarem em qualquer acordo com o Irã.

Há uma ‘coisa bastante sólida sobre a mesa em termos de capacidade de abrir o estreito, abrir o estreito (de Ormuz), entrar em uma negociação muito real, significativa e limitada no tempo sobre a questão nuclear, e esperamos que possamos realizá-la’, declarou Rubio.

O ⁠porta-voz ‌do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse em um briefing semanal na segunda-feira que ⁠uma conclusão foi alcançada em muitos tópicos, mas isso não significa que ‘estamos perto de assinar um acordo’.

O possível memorando de entendimento contém 14 pontos e está focado no fim da guerra e do bloqueio naval ao Estreito de Ormuz, em troca da adoção de medidas pelo Irã para garantir o trânsito seguro pela hidrovia estratégica, segundo ele.

No momento, as conversações não tratam da questão nuclear, que será ​negociada em um período de 60 dias se o acordo-quadro for aprovado, disse Baghaei.

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Trump tem afirmado que seu principal objetivo na guerra é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear com seu ​urânio altamente enriquecido. Teerã sempre negou que tenha planos de fazer isso.

Um dia antes, Trump escreveu no Truth Social que o bloqueio dos EUA aos navios iranianos no Estreito de Ormuz ‘permanecerá em pleno vigor e efeito até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado’.

PONTOS DE ATRITO

Trump aumentou as expectativas de um acordo iminente no sábado, quando disse que Washington e Teerã haviam ‘negociado amplamente’ um memorando de entendimento sobre um ‌acordo de paz que reabriria o estreito.

Baghaei afirmou que o possível acordo ​não continha detalhes específicos sobre a administração do estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito do mundo.

O Irã não cobrará pedágio dos navios que passarem pelo estreito, disse Baghaei. No entanto, ele acrescentou que haverá um ⁠custo para os serviços que serão oferecidos, ​como navegação e medidas para ​proteger o meio ambiente, de acordo com um protocolo a ser acordado com Omã, que compartilha a margem oposta da hidrovia.

O estreito ⁠está praticamente fechado desde o início da guerra, em 28 ​de fevereiro, com apenas um pequeno número de embarcações passando por ele, em comparação com cerca de 125 a 140 por dia antes do conflito.

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Seu fechamento causou um aumento nos preços do petróleo e desencadeou uma crise de energia, que ​elevou os custos de combustível, fertilizantes e alimentos.

Os preços do petróleo caíam 5%, atingindo as mínimas de duas semanas na segunda-feira, à medida que crescia o otimismo de que os ​EUA e o Irã estavam ⁠se aproximando de um acordo de paz.

Os dois lados continuam em desacordo sobre várias questões difíceis, como as ambições nucleares do Irã, a guerra ⁠de Israel no Líbano com a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, e as exigências de Teerã para o levantamento das sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares de receitas do petróleo iraniano congeladas em bancos estrangeiros.

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Fontes iranianas disseram à Reuters que, em etapas futuras, ‘fórmulas viáveis’ poderiam ser encontradas para resolver a disputa sobre seu estoque de urânio altamente enriquecido, incluindo a diluição do material sob a supervisão do órgão de vigilância nuclear da ​ONU.