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A Pershing Square, do bilionário Bill Ackman, finalmente está abrindo capital depois de anos em que o gestor usou as redes sociais para vender a ideia de construir um “império” nos moldes de Warren Buffett. Mesmo com os US$ 5 bilhões levantados para tirar o plano do papel, Ackman ainda tem mais uma prova pela frente.
Enquanto a Bolsa de Nova York se prepara para o início das negociações após o IPO combinado do fundo fechado e da gestora, o novo projeto do investidor de 59 anos ainda está longe de ser uma carta fora do baralho. A captação para a Pershing Square USA Ltd. veio no piso da faixa, que ia até US$ 10 bilhões, e a maior parte do dinheiro já estava comprometida antes mesmo do início do roadshow.

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Os US$ 5 bilhões foram, na prática, o mínimo necessário para manter dentro da operação os investidores âncora, que tinham se comprometido com US$ 2,8 bilhões. O valor ficou bem abaixo da meta original, de US$ 25 bilhões, que a Pershing Square mirava cerca de dois anos atrás.
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Para tentar esquentar a demanda, Ackman ofereceu alguns “agrados”: ações gratuitas da gestora Pershing Square Inc. e isenção de taxa de performance no Pershing USA. Isso ajudou a atrair mais interesse, mas não foi suficiente para transformar o IPO em um grande evento de euforia.
As indicações de preço apontam que as ações da Pershing Square USA devem estrear entre US$ 42,50 e US$ 47,50, abaixo do preço do IPO, de US$ 50 por papel. Já os papéis da Pershing Square Inc. são indicados entre US$ 24 e US$ 27, por volta de 10h44 (horário de Nova York) desta quarta-feira.
“O presente de ações da gestora precisava compensar o risco de o fundo negociar com desconto em relação ao valor dos ativos”, afirma Kim Flynn, presidente da XA Investments, em Chicago. “Mas isso levanta outra dúvida: o que vai sustentar a demanda no mercado secundário e fazer o investidor seguir comprando daqui seis ou doze meses?”
Depois do fiasco com o primeiro fundo fechado, a Pershing Square mudou de rota. No ano passado, o foco passou a ser aumentar a participação na Howard Hughes Holdings Inc., usando a empresa como veículo para assumir o controle de outras companhias. Agora, a gestora assina a maior listagem de um fundo fechado nos EUA, segundo dados da Bloomberg.
Inicialmente, a ideia era usar o IPO do fundo fechado como “entrada” antes de listar a Pershing Square em si. No fim, as duas estruturas estreiam juntas hoje, em uma oferta combinada.
“É um pouco um experimento”, resume Flynn.
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O pacote atual é mais generoso do que o desenhado no começo. A gestora de ativos alternativos — que será listada por um modelo parecido com uma direct listing — foi distribuída na proporção de uma ação para cada cinco ações do fundo fechado para a maioria dos investidores da oferta. Quem entrou via private placement teve benefício extra: 1,5 ação da Pershing Square Inc. para cada cinco ações do fundo.
Segundo documento da Pershing Square Inc., a empresa-mãe administra cerca de US$ 30,7 bilhões em ativos, dos quais US$ 20,7 bilhões geram cobrança de taxa de administração, considerando dados até o fim de 2025.
O fundo fechado da Pershing Square listado em Londres vem ficando para trás em relação ao S&P 500, perdendo para o índice nos horizontes de um, três e cinco anos, de acordo com dados da Bloomberg.
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De lá para cá, houve uma espécie de “mini-renascimento” dos fundos fechados — principalmente focados em empresas privadas de tecnologia —, com uma série de novas listagens atraindo investidores pessoa física.
O IPO da Pershing Square teve uma recepção mais quente do que o Robinhood Ventures Fund I, da Robinhood, que levantou US$ 658,4 milhões em março em um fundo fechado voltado a tech privada. Pessoas próximas à operação disseram que cerca de 85% da oferta da Pershing Square ficou nas mãos de investidores institucionais. Isso deixa algo em torno de 15% nas mãos do varejo — perto de US$ 750 milhões vindos de pessoas físicas.
Mesmo assim, o ponto sensível para quem entra é o de sempre nesse tipo de produto: a realidade de que a maioria dos fundos fechados negocia com desconto relevante em relação ao valor dos ativos que carrega. A Pershing Square Holdings Ltd., fundo fechado de mais de US$ 18 bilhões listado em Londres, é negociada a cerca de um terço abaixo do seu valor patrimonial líquido (NAV), segundo dados da Bloomberg.
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