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IPO da Figma se aproxima de US$ 20 bi após fracasso de venda para a Adobe

A demanda pelas ações foi quase 40 vezes superior à oferta, sinal de forte interesse no primeiro IPO relevante de software nos EUA desde fevereiro

Bloomberg

Figma Inc. signage during the company's initial public offering (IPO) at the New York Stock Exchange (NYSE) in New York, US, on Thursday, July 31, 2025. Figma Inc. is expected to price its US initial public offering at $33 per share, according to people familiar with the matter, above the design and collaboration software company's increased price range.
Figma Inc. signage during the company's initial public offering (IPO) at the New York Stock Exchange (NYSE) in New York, US, on Thursday, July 31, 2025. Figma Inc. is expected to price its US initial public offering at $33 per share, according to people familiar with the matter, above the design and collaboration software company's increased price range.

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As ações da Figma devem começar a ser negociadas nesta quinta-feira (31), depois que a empresa de software de design e colaboração — junto com alguns de seus investidores — levantou US$ 1,2 bilhão em uma das ofertas públicas iniciais (IPOs) mais aguardadas do ano nos Estados Unidos.

A companhia e investidores como Index Ventures, Greylock Partners e Kleiner Perkins venderam 36,9 milhões de ações a US$ 33 cada. Os papéis haviam sido precificados inicialmente entre US$ 30 e US$ 32, faixa elevada no início da semana.

O preço de colocação atribui à Figma um valor de mercado de US$ 16,1 bilhões, com base nas ações em circulação informadas nos documentos da oferta. Considerando opções de ações de funcionários e unidades de ações restritas, o valor diluído total chega a cerca de US$ 18,5 bilhões — próximo aos US$ 20 bilhões que a empresa teria alcançado na venda planejada para a Adobe Inc., que fracassou em 2023.

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Segundo a Bloomberg News, a demanda pelas ações foi quase 40 vezes superior à oferta, sinal de forte interesse no primeiro IPO relevante de software nos EUA desde a estreia da SailPoint Inc. em fevereiro.

A Figma é usada para criar interfaces de aplicativos web e móveis, mas vem expandindo seu portfólio para ser mais útil no desenvolvimento de software e na colaboração em ambientes corporativos. Como muitas empresas de software, cobra pelo número de usuários e pelo tipo de licença. Em 2023, adicionou o Dev Mode para aproximar desenvolvedores do processo de design e, mais recentemente, incorporou inteligência artificial a diversas ferramentas. Este ano, lançou o Figma Make, que transforma comandos de texto em protótipos funcionais.

A receita do primeiro trimestre cresceu 46% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“A rentabilidade da Figma — com margem bruta ajustada de cerca de 92% — supera até mesmo empresas de software mais consolidadas, dando à companhia ampla flexibilidade para investir em novos produtos e mercados”, afirmam os analistas Anurag Rana e Andrew Girard, da Bloomberg Intelligente.

Um ponto-chave para o sucesso de longo prazo será expandir o uso da plataforma para além dos designers. As ferramentas da empresa já têm boa adesão entre desenvolvedores, gerentes de produto e profissionais de marketing, segundo Andrew Reed, sócio da Sequoia Capital e membro do conselho da Figma. A Sequoia investiu na empresa pela primeira vez em 2019, quando a adoção da ferramenta começou a se acelerar.

Volume de IPOs nos EUA cresce

Com a estreia da Figma, o volume de ofertas iniciais de ações nos EUA em 2025 já soma mais de US$ 21 bilhões (excluindo veículos financeiros como as SPACs), acima dos US$ 20,2 bilhões captados no mesmo período de 2024, mostram dados da Bloomberg.

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A demanda pode ter sido impulsionada por um processo de coleta de ordens semelhante a um leilão, no qual investidores indicavam a quantidade de ações desejada e o preço que estavam dispostos a pagar, segundo uma fonte próxima ao assunto.

O CEO e cofundador Dylan Field manterá o controle da companhia com 74,1% dos votos após o IPO, por meio das ações Classe B, que conferem 15 votos cada. Field fundou a Figma em 2012 ao lado de Evan Wallace, quando ambos estudavam na Universidade Brown. Field deixou a universidade após dois anos e meio para ingressar no Thiel Fellowship, programa financiado por Peter Thiel que apoia jovens empreendedores que abandonam os estudos. A interface baseada em navegador conquistou rapidamente os designers, substituindo métodos tradicionais de colaboração baseados no envio manual de arquivos.

Nos três meses encerrados em 31 de março, a Figma registrou lucro líquido de US$ 44,9 milhões e receita de US$ 228 milhões. Apesar do crescimento de receita em 2024, o aumento das despesas operacionais resultou em prejuízo líquido anual de US$ 732 milhões.

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A Adobe desistiu da compra após impasses com reguladores, pagando uma multa de rescisão de US$ 1 bilhão.

A oferta foi coordenada por Morgan Stanley, Goldman Sachs Group Inc., Allen & Co. e JPMorgan Chase & Co.. As ações da Figma passam a ser negociadas na Bolsa de Nova York sob o ticker FIG.

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