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SÃO PAULO – Se ultimamente há algo em comum entre a maioria dos brasileiros, é provável que tenha relação com o desejo de saber até quando o aumento de preços dos produtos alimentícios continuará afetando os bolsos. De diversas projeções, uma delas é certa: os alimentos continuarão norteando os rumos da inflação nos próximos meses, até o fim do ano.
Lados opostos
De acordo com relatório publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas), olhando para os fatores externos ao país, a diminuição do preço de alimentos como o milho e o trigo (as chamadas commodities), motivado por uma desaceleração no ritmo de crescimento da economia mundial, poderia contribuir para a queda, no Brasil, dos preços de derivados desses cereais no Brasil.
Entretanto, o economista e professor da FGV, André Braz, apresenta uma projeção divergente. Para ele, o problema da entressafra dos cereais, dentro de algumas semanas, deve causar redução na oferta. Entretanto, com uma procura constante, ou até mesmo em crescimento, os preços devem ser pressionados a subir. Não apenas os cereais sofreriam esse impacto, mas também as massas, biscoitos e pães, por exemplo, pois são produtos que têm justamente esses grãos como matéria prima.
Além dos alimentos
Quanto a outros itens, excluindo os alimentos, segundo a publicação do Ipea, a tendência é de leve alta de preços para os próximos meses. A projeção é feita com base na análise dos componentes do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
No caso dos preços administrados, é possível constatar que a variação acumulada em 12 meses passou de 1,8% em junho para 2,8% em agosto, influenciada, sobretudo, pelo recente reajuste das tarifas de telefonia fixa. Até o final do ano, para o Ipea, a variação deve crescer mais, pois são esperados aumentos nos preços de energia elétrica, além de um possível reajuste nos preços dos ônibus urbanos.
Para os preços livres, exceto os da alimentação, os focos de pressão atingem tanto os itens comercializáveis quanto os não-comercializáveis. No primeiro grupo, verifica-se que os reajustes dos preço industriais no atacado sinalizam que, pelo menos no curto prazo, não há espaço para queda de preços.